Wall of Rua da Vala

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - Brazil

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A “Muralha da Rua Vala” localizava-se na antiga rua da Vala - atual rua Uruguaiana -, no centro histórico da cidade e estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

História

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), após a invasão da cidade do Rio de Janeiro pelos corsários franceses Jean-François Duclerc (1710) e René Duguay-Trouin (1711), houve, por parte Metrópole, a preocupação reforçar-lhe a defesa, uma vez que era pelo seu porto que o ouro, oriundo da capitania de São Paulo e Minas de Ouro, era remetido para o reino.

Cogitou-se, assim, fechar a cidade pelo lado de terra com uma muralha, conforme projeto conjunto do então Governador da Capitania, Francisco Xavier de Távora (1713-1716), e de João Massé. Este oficial francês encontrava-se ao serviço de Portugal desde 1705 e, por determinação de João V de Portugal (1705-1750), em 1713 "passou com o posto de brigadeiro ao Brasil para examinar e reparar as fortificações daquele Estado". (SOUZA VITERBO, 1988:154)

Essa estrutura encontra-se figurada sob a legenda "SSS. Muro da cidade" (“Planta da Cidade de Saõ Sebastiaõ do Rio de Janeiro, com súas fortifficaçoins”, 1713. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa), como uma das fortificações previstas no "Plano de Defesa de 1714".

Iniciada em 1713 ou logo a seguir, em março de 1718 o então governador, António de Brito de Meneses (1716-1719), informava a João V de Portugal (1706-1750) que já havia sido erguida parte da muralha, com a altura de 1,76 metros e, em poucos pontos, 2,20 metros. Mais informava que haviam sido “observados na sua largura os 14 palmos [3,08 metros] que lhe desenhou o brigadeiro Massé, e também na distância dos contrafortes, de 25 palmos [5,50 metros] de um a outro”. (CAVALCANTE, 2004:50-51)

Estando a obra ainda incompleta, o novo governador e capitão-general da capitania do Rio de Janeiro, Luís Vahia Monteiro, o “Onça” (1725-1732), militar extremamente rígido no cumprimento das ordens régias, teceu algumas críticas ao projeto de Massé, nomeadamente:

− a falta de guarnição no trecho junto ao morro e convento de Santo António, padrasto à muralha e ao aqueduto e chafariz, principais equipamentos urbanos da cidade à época;

− a falta de terreno livre para o exercício de pequena criação e de hortas, essenciais ao abastecimento da cidade em caso de um assédio prolongado.

Em alternativa ao plano de Massé, Vahia Monteiro encaminhou ao soberano, por carta de 7 de julho de 1726, um novo projeto, de sua autoria, onde propunha a construção de um canal navegável, ligando a área do atual jardim do Passeio Público (então junto ao mar) até à do atual canal do Mangue, transformando assim a cidade em uma ilha. (CAVALCANTE, 2004:50) A proposta não foi aceite pelo soberano, que lhe ordenou que prosseguisse a obra em progresso na rua da Vala.

Vahia Monteiro não hesitou em fazer cumprir as determinações do projeto, que impediam a edificação nos terrenos adjacentes à muralha. Com preocupação, a Câmara Municipal viu baixar a arrecadação de foros sobre esses terrenos e, sentindo-se prejudicada - embora não pudesse opor-se abertamente à obra determinada pelo soberano -, por omissão passou a permitir que a população construísse nas áreas impedidas, prática que causava o desaparecimento de troços da muralha.

Vahia Monteiro também era de opinião que não se devia construir extramuros sem que antes os terrenos vazios intramuros estivessem ocupados. Essa visão levou a que a relação conflituosa que o governante mantinha com os vereadores da Câmara se degradasse ainda mais. Por fim, a Provisão Real de 10 de outubro de 1730 proibiu a construção de novas casas extramuros, obrigando os proprietários a edificarem nos terrenos vazios intramuros, num prazo máximo de dois anos. A Provisão estipulava ainda que os vereadores publicassem editais, a divulgar junto à população da cidade as normas nela contidas. Inconformados, os vereadores recorreram ao soberano, argumentando que muitos terrenos localizados no interior da muralha gozavam de isenção de foro, prejudicando a arrecadação da receita da Câmara, que chegara a níveis ínfimos e insuportáveis. Reclamavam ainda do fato de o traçado da nova muralha não corresponder a uma leitura correta do que já poderia ser considerado centro, por oposição à periferia, de vez que muitos terrenos edificados que deveriam ter sido incluídos no perímetro da muralha ficaram do seu lado de fora. (CAVALCANTE, 2004:51)

Esses argumentos não convenceram o soberano que manteve a provisão de 1730, com todas as suas restrições de edificação. Como resultado, o crescimento da cidade teve de se fazer pelas encostas dos morros do Castelo e da Conceição, ou pela verticalização dos prédios.

Vahia Monteiro foi declarado incapaz pela Câmara em 1732, tendo sido substituído no governo da capitania pelo Mestre-de-Campo Manuel Freitas da Fonseca (1732-1733) até à nomeação e chegada de Gomes Freire de Andrade, 1.º conde de Bobadela (1733-1763). Este último mostrou-se bastante tolerante com as novas construções extramuros, inclusive as que se encontravam adjacentes à muralha. Por sua vez, os vereadores também fecharam os olhos à prática, de modo a que os moradores da cidade, livres de qualquer fiscalização e já esquecidos das invasões francesas de 1710 e 1711, passaram a erguer as suas casas tão próximas da muralha, que algumas mesmo se adossavam a ela. Moradores houve que chegaram a encaminhar requerimentos à Câmara, “pedindo licença para edificarem casas junto à muralha velha da cidade”. (CAVALCANTE, 2004:51-52)

Observe-se, por fim, que embora não esteja indicado no desenho de Massé essa área de impedimento, a Ordenança de 20 de fevereiro de 1708 estipulava tão somente que “uma zona de 15 braças” incidia sobre atividades agrárias. Apenas em 1812 é que se estabeleceria, efetivamente, a proibição para qualquer edificação “dentro da demarcação de 600 braças, em roda da esplanada das praças de guerra ou fortalezas”. (CORRÊA-MARTINS, 2014)

Em 1736 o engenheiro militar José da Silva Pais, então em serviço no Rio de Janeiro, observou que o muro se encontrava “levantado pouco mais de quatro palmos do terreno natural, o qual é preciso se conserve e acabe, dando-lhe melhor direção e defenções, que ele não tinha, como se verá da planta [que anexava] e só a maior dificuldade será o terra plano”. (CAVALCANTE, 2004:51)

O diário de bordo da nau francesa “L'Arc-en-Ciel”, que aportou ao Rio de Janeiro em 1748, registou a construção da muralha em pedra e “liga de massa forte e preta, de aparência pouco sólida”. Complementava referindo que o “muro tinha a altura de um peitoril e fechava a parte da cidade que dava para o campo”. (CAVALCANTE, 2004:51)

A estrutura figura como "Muro da Cidade" na carta de André Vaz Figueira ("Carta Topografica da Cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro", 1750. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro), encomendada por Gomes Freire de Andrade, 1.º conde de Bobadela (1733-1763), para mostrar as obras de seu governo.

Ilustra o processo de destruição da muralha pela ação dos moradores em meados do século XVIII o pedido do padre jesuíta Gabriel de Malagrida, por carta ao governador em 1756, solicitando autorização para retirar pedras do muro para com elas erguer um novo seminário da Companhia de Jesus na cidade. Em resposta, o então governador interino, José António Freire de Andrade, em 14 de agosto de 1756 deferiu o pedido, permitindo aos jesuítas a retirada de 400 braças (880 metros), concedidas a título de doação, em tempo sustada por ordem de José I de Portugal (1750-1777), que tomara conhecimento da oferta. (CAVALCANTE, 2004:52) A continuação dessa prática pela população fez acabar por desaparecer a muralha do tecido urbano da cidade, sem deixar vestígios. (CORRÊA-MARTINS, 2016)

Uma planta do Rio de Janeiro, datada de 1767, de autoria do sargento-mor Manuel Vieira Leão, já não indica a muralha, levando a crer que nessa época ela já estivesse descaracterizada ou mesmo desaparecida, absorvida pela expansão urbana.

Com a transferência da capital do Estado do Brasil da cidade do Salvador para a do Rio de Janeiro em 1769, o então Vice-rei Luís de Almeida Portugal Soares de Alarcão d'Eça e Melo Silva Mascarenhas, 5.º conde de Avintes e 2.º Marquês do Lavradio, (1769-1778) solicitou novos estudos a três engenheiros militares – Jacques Funck, Francisco João Roscio e José Custódio de Sá e Faria – para reestruturar a muralha do Rio de Janeiro e projetar um canal defensivo, se fosse o caso. Como resultado, o projeto anónimo, atribuído a Sá e Faria ("Plano da Cidade do Rio de Janeiro Capital do Estado do Brazil", 1769. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro) também previu uma muralha para a defesa dos limites da cidade, mas agora na altura do Campo de Santana. Essa estrutura encontra-se ilustrada como "A. Projecto para Fortificar esta Cidade pela parte de terra, desde Val Longuinho, the a Praya de Santa Luzia", e era complementada por um fosso inundado ilustrado em "D. Projecto p.ª introduzir a agoa do Mar nos Foços e lhe dar sahida". Embora tecnicamente adequado, mas de elevadíssimo custo financeiro, este plano defensivo também não chegou a se materializar inteiramente, uma vez que, à época, as preocupações e recursos da Coroa Portuguesa estavam centradas nas fronteiras do extremo sul do Brasil e na Colónia do Sacramento.

O "Relatório do Marquês de Lavradio, Vice-Rei do Rio de Janeiro, entregando o Governo a Luiz de Vasconcellos e Souza, que o sucedeu no vice-reinado", datado do Rio de Janeiro em 19 de Junho de 1779, informava:

"Sendo esta capital aberta, mandei cobrir toda de uma fortificação de campanha, segundo o plano e o risco que eu tinha mandado fazer para a fortificar, e que já ia posto em prática até à frente do Quartel [do Regimento] de Moura." (pp. 426-427) (RIHGB, Tomo IV, 1842. pp. 409-486).

Embora alguns estudiosos, como Alex Nicolaeff, então diretor do Departamento de Patrimônio Cultural (DPC) da Prefeitura do Município do Rio de Janeiro, acreditassem que na antiga rua da Vala, atual Uruguaiana, ainda existiam vestígios arqueológicos da muralha erguida para a defesa da cidade no século XVIII (CERQUEIRA, Sophia. "Rio sepulta 431 anos de história". O Globo, 3 de março de 1996. Caderno Rio, p. 18), o fato é que não dispomos de qualquer evidência disso.

Do chamado "Plano de Defesa de 1714" restou apenas a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, no morro do mesmo nome. (CORRÊA-MARTINS, 2016)

Características

Exemplar de arquitetura militar, de enquadramento urbano.

O projeto original previa um muro defensivo fechando os limites da cidade pelo lado de terra, paralelo à antiga rua da Vala, aberta desde 1641 para a drenagem das águas do rio Carioca, passando por trás da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, e que então marcava o limite do perímetro urbano, entre o morro do Castelo e o morro da Conceição, na extensão aproximada de 300 braças (c. 660 metros), elevando-se a c. 5 metros de altura.

Era rasgada por um portão na altura da Rua da Quitanda do Marisco, que a partir de 1716 passou a ter a atual designação, Rua da Alfândega.



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Muralha da Rua Vala
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre a Muralha da Rua Vala, que se localizava na antiga Rua da Vala (atual Rua Uruguaiana), no centro histórico da cidade e Estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Muralha_da_Rua_da_Vala

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Contribution

Updated at 25/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Wall of Rua da Vala


  • Battlement

  • Between 1713 and 1718 (AC)

  • Between 1750 and 1760 (AC)

  • John Massey

  • John V of Portugal

  • Portugal

  • Between 1750 and 1767 (AC)

  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio de Janeiro
    City: Rio de Janeiro

    Paralela à Rua Uruguaiana, no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro.


  • Lat: 22 54' 22''S | Lon: 43 10' 38''W





  • Alvenaria de pedra argamassada.





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