João Henrique Böhn

Germany

O Tenente-General João Henrique Böhn (1708-1783) nasceu na cidade de Bremen, Alemanha. Seu nome alemão é Johann Heinrich Böhn. Alguns historiadores também o chamam de João Henrique de Böhn. Ele próprio, em sua correspondência particular, assinava Joan Henri.

Böhn governou militarmente sua terra natal, a serviço da Inglaterra, em 1764, como coronel e barão. Exerceu estes cargos até ser contratado pelo Exército de Portugal, como assessor militar do Marquês de Pombal. Nesta época Böhn tinha 57 anos.

Chegou ao Brasil em 05 de outubro de 1767. Desembarcou no Rio de Janeiro em companhia de sua esposa, Agnes Judith Sibilly von Dinklage, que viria a falecer nessa cidade por volta de 1775. Böhn foi encarregado das funções de Inspetor Geral; Comandante e Administrador de todas as Tropas de Infantaria, Cavalaria e Artilharia do Vice-Reino do Brasil. Tinha como seu superior imediato o Vice-Rei.
Sua missão inicial no Brasil era introduzir a doutrina militar do Conde de Lippe, seu mestre, já aplicada em Portugal, que visava uniformizar e unificar o exército colonial  do Brasil.

Em 1774, Böhn deixa o Rio de Janeiro para assumir a organização e o comando do Exército do Sul. Sua missão era expulsar os espanhóis do Rio Grande do Sul, a partir das bases estabelecidas em São José do Norte, Porto Alegre e Rio Pardo. Os espanhóis dominavam parcialmente há 13 anos o Rio Grande do Sul. Suas bases se localizavam na atual cidade do Rio Grande; em Santa Tecla, próximo a Bagé; e em São Martinho, próximo de onde hoje se localiza a cidade de Santa Maria.

A ação de Böhn, comandando o Exército do Sul, resultou na reconquista e expulsão definitiva dos espanhóis do Forte de São Martinho (1° de outubro de 1775), do Forte de Santa Tecla (27 de março de 1776) e da Vila de Rio Grande (1° de abril de 1776). Estes combates contribuíram para o destino e configuração das fronteiras meridionais do Brasil. Estes limites começaram a se concretizar com a assinatura, em 1° de outubro de 1777, do Tratado de Santo Ildefonso, pelo qual a Ilha de Santa Catarina foi reintegrada ao território português, e a Colônia de Sacramento (no atual Uruguai) passou definitivamente para a posse dos espanhóis. Este acordo assegurou a paz no sul do Brasil até 1801.

Böhn deixou registrada em francês uma valiosa fonte escrita sobre os acontecimentos desse período, cujo título em português é “Memórias relativas à expedição do Rio Grande (do Sul) da qual fui encarregado pelo Rei D. José I, de 1774 ao final de 1779, contendo (51) cartas que escrevi ao Marquês de Lavradio, Vice-Rei do Brasil”. Estas memórias foram apresentadas pela primeira vez no Brasil em 1976, ainda no idioma francês, durante o Simpósio Comemorativo do Bicentenário da Restauração do Rio Grande (ver Böhn, 1979). Somente em 1996, o Cel. Claudio Moreira Bento irá publicar em livro as memórias de Böhn, em português, acrescentando-lhe valiosas notas e comentários adicionais (ver BENTO, 1996).

Após sua ação vitoriosa no Sul, Böhn retorna para o Rio de Janeiro, onde vive por mais quatro anos. Em 1782, uma queda de Cavalo - que sofreu quando fazia seus exercícios de equitação - deixa sua saúde comprometida. Um ano depois falece. Seu corpo foi sepultado no Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro.

Fonte principal: (BENTO, 1996: p. 9-12).

Contribution

Updated at 11/08/2008 by the tutor Projeto Fortalezas Multimídia (Jaime José S. Silva).




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