José Fernandes Pinto Alpoim

Portugal

A respeito do nascimento do Brigadeiro Alpoim, o ilustre historiador e pesquisador Augusto de Lima Junior no seu livro Notícias Históricas, contesta, com base em documentos autênticos a versão muito repetida de que tenha ele ocorrido na Colônia do Sacramento.

De acordo com as investigações seguras de Augusto de Lima Junior, Alpoim nasceu em Viana do Minho, hoje, Viana do Castelo, em Portugal, tendo ingressado no Exército em um batalhão de Infantaria da mesma vila, onde começou seus estudos na academia militar, sob a orientação do seu tio e professor, o sargento-mor de Engenheiros Manoel Pinto Villa Lobos. Transferiu-se depois para Lisboa onde fez o curso superior sendo destacado em 1713 para o Rio de Janeiro como ajudante de Infantaria em exercício de engenheiro.

Em 1729, Alpoim foi designado para ir à cidade de Porto, a fim de levantar o Rio Douro e respectiva barra, tendo em vista projetar um sistema de segurança para as embarcações, missão que lhe valeu referências elogiosas. Executou-a em três meses.

Foi depois nomeado lente substituto da Academia de Viana em 1735 sendo designado ajudante de engenheiro da Província de Alentejo.
Em 1737, promovido a capitão, foi nomeado para o cargo de engenheiro das fortificações e Alentejo, com sede na Praça de Almeida, sob a direção do Engenheiro-mor, Manuel de Azevedo Fortes.

Foi aí incumbido de projetar e construir igrejas, casas e armazéns, em substituição dos que um grande incêndio destruíra.

Era então comandante da Praça o General Brás Baltazar da Silveira, que confiava muito em Alpoim, ao qual dirigiu muitos elogios constantes de documentos oficiais.

A prova dessa confiança está também na missão que ele atribuiu a Alpoim de estudar, discretamente, as características do Forte Fiel, que os espanhóis estavam construindo na fronteira, o que ele realizou, sob disfarce de mendigo, logrando fazer o completo levantamento da fortificação.

Missão da mesma natureza ele desempenhou ao fazer o reconhecimento de um comboio militar espanhol, assinalando seu movimento em direção da Praça de Alcântara, com numeroso material de artilharia. Disfarçou-se, para isso, de camponês.

Aliviada a tensão existente na fronteira, Alpoim foi transferido para Lisboa em 1738, sendo no mesmo ano nomeado por D. João V sargento-mor do Terço de Artilharia do Rio de Janeiro, por ordem régia de 19 de agosto do referido ano.

Nessa época o Conselho Ultramarino estava empenhado em desenvolver o ensino da Aula de Fortificação do Rio de Janeiro, que passou, então, a funcionar como curso regular, com o objetivo de prover os elementos necessários a defesa do nosso litoral, em face da situação tensa entre Portugal e a Espanha.

Como lente da aula de Fortificação e Artilharia, Alpoim escreveu o livro Exame de Artilheiros, em português, para suprir a falta de elementos adequados de estudo dos seus alunos, candidatos a oficial de Artilharia.

Nessa mesma época ele introduziu reformas no sistema das carretas para canhões de campanha, então recebidos.

Duas fragatas inglesas desarvoradas, que aportaram no Rio de Janeiro, onde teriam de ser reparadas, levaram Alpoim a desenhar e construir, na falta de outro recurso, uma máquina necessária para colocá-las em posição adequada, cujo se tornou, depois, processo normal para os casos idênticos.
Em 1740, Alpoim projetou e construiu o Hospício dos Barbadinhos, na Rua Evaristo da Veiga, no Rio de Janreiro.

Em 1750 foi nomeado mestre-de-campo general do Rio de Janeiro, do Terço Novo, na vaga aberta com o Falecimento de Pedro Azambuja Ribeiro, mas continuou no desempenho dos seus encargos de engenheiro.

Quando em 1755 o engenheiro alemão contratado Jacob Samuel Schuler escreveu o livro O Artilheiro Português, teceu, no respectivo prefácio, muitos elogios ao trabalho anterior de Alpoim, que já constituía, então, obra rara, da qual só existiam poucos exemplares.

No vice-reinado do Conde de Cunha, iniciado em 1763, o problema das fortificações mereceu maior interessa da Coroa Portuguesa, em virtude dos relatórios que desde o inicio o Vice-Rei enviava para Lisboa.

No termino de sua primeira inspeção na defesa do Porto do Rio de Janeiro, o Conde de Cunha comunicou a Coroa: “Visitei as fortalezas desse porto e todas precisam de reforma.”

Foi quando Alpoim recebeu, já então brigadeiro, a missão de executar os melhoramentos de que necessitavam as fortificações da Barra do Rio de Janeiro. As providencias por ele tomadas foram muito discutidas quanto à eficiência, sendo difícil aprecia-las, hoje, com segurança, em face das divergências de opiniões e da falta de elementos. Não há duvida, porém de que a própria importância da missão põe em relevo o seu conceito de engenheiro.

Alpoim prestou, também, grandes serviços no Vice-reinado do Marques de Lavradio, iniciado em 17 de novembro de 1769, nos seus grandes empreendimentos que muitos beneficiaram a defesa da Bara do Rio de Janeiro.

O Conde de Azambuja, Vice-Rei anterior, havia contratado para tais serviços o Brigadeiro Funck e o General Böhn, que planejaram os melhoramentos necessários, tendo os trabalhos, na sua fase de execução recebido a colaboração eficiente de Francisco João Roscio e do Coronel José Custódio de Sá e Faria, os quais apresentaram os seus novos estudos em 1770 com modificações no planejamento inicial.
Alpoim foi autor do projeto da Casa dos Governadores da Capitania de Minas Gerais, antiga Vila Rica (Ouro Preto), contruida pelo pai do Aleijadinho e mestre de obras portugueses Manuel Francisco Lisboa. Executou as obras do aqueduto da Carioca em 1745. Foi também autor do Livro Exame de Bombeiros, referente a geometria e a trigonometria, adotado na aula que regia, além do outro, já referido, o Exame do Artilheiros.

A residência dos governadores que o Governador Gomes Freire, Conde de Bombadela, mandou construir na atual praça 15 de novembro – Rio de Janeiro – então chamada Várzea Nossa Senhora do Carmo, foi também projetada e construída pelo Brigadeiro Alpoim.
É Curioso assinalar que, na Carta Régia de 27 de novembro de 1730, que autorizou a construção, estava prevista a proibição de chamá-la de Palácio, o que era privativo para a residência real ou de príncipes.

Foi além disso, um dos integrantes das juntas governativa do Rio de Janeiro, investidas no poder com o falecimento de Gomes Freire.

Como engenheiro arquiteto, suas atividades principais foram desenvolvidas no Rio de Janeiro e em Minas Gerais e abrange a construção de chafarizes, quartéis, palácios, etc.
Teve três filhos, um dos quais, o único varão, foi Vasco de Fernandes Alpoim.

Fonte: TAVARES, Aurélio de Lyra. A Engenharia militar portuguesa na construção do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Biblioteca do Exército, 2000. 218p.

Contribution

Updated at 14/11/2008 by the tutor Projeto Fortalezas Multimidia (Gabriel).




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