José da Silva Paes

Portugal

José da Silva Paes, o brigadeiro desbravador do Brasil Meridional, nasceu em Portugal e foi engenheiro e militar. Deixou marcas de sua personalidade e capacidade administrativa em Portugal e no Brasil: em Santa Catarina, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Notabilizou-se ainda como tenente-coronel de Engenheiros, nas operações de libertação da Praça de Campo Maior, quando sitiada em 1712, secundando o grande feito que deixou famoso o Conde da Ribeira Grande. Era um dos melhores e mais experimentados engenheiros portugueses.

Serviu no Brasil na primeira metade do século XVIII, como “brigadeiro dos exércitos da Sua Majestade” e governador de capitanias, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Realizou no Brasil numerosos trabalhos de fortificações sendo o autor do primitivo projeto da fortaleza da Ilha das Cobras – junto do Arsenal de Marinha – alterado parcialmente por Gomes Freire, ao qual dera o seguinte título: “Planta da fortaleza do Patriarca São José, construída na Ilha das Cobras pelo Brigadeiro José da Silva Paes”. É de sua iniciativa a carta topográfica de todo o terreno compreendido desde a Barra do Rio Grande de São Pedro até Castilhos Pequeno, que corre entre a costa do mar e a Lagoa Mirim (1737). No comando de forças transportadas por navios, entrou ele na barra do Rio Grande de São Pedro ocupando a região do território rio-grandense que teria, por isso mesmo, uma grande importância política. Ali firmou o Brigadeiro Paes o domínio do Governo português, em nome do qual exerceu a sua autoridade de governo. Foi ele, pois o conquistador do chamado continente do Rio Grande de São Pedro, ou, por abreviação “o Continente”.

Além de responsável pela fortificação do litoral sul do Brasil, também solicitou e iniciou o processo de povoamento açoriano, consolidando a defesa e ocupação deste território contra o assédio espanhol. O primeiro governador de Santa Catarina administrou a Capitania durante dez anos, no período de 1739 a 1749. Os registros mais antigos de sua ligação com Santa Catarina datam de 1736. Destacado por Lisboa, dirigia-se a Montevidéu para combater os espanhóis quando conheceu a costa catarinense. Na sua visão de militar experiente, compreendeu a importância estratégica da Ilha de Santa Catarina para a defesa do Brasil Meridional e transmitiu isso à Metrópole.

Em Carta Régia de 11 de agosto de 1738, cumpriu-se uma resolução do Conselho Ultramarino, criando-se um governo militar em Santa Catarina. Por ela ficou determinado que José da Silva Paes seguiria para a Capitania, onde ele tomou posse como governador na então Vila de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, no dia 01 de maio de 1739, passando a impulsionar o modesto povoado. O engenheiro e governador, Silva Paes, projetou e dirigiu pessoalmente a construção das quatro primeiras e principais fortalezas de Santa Catarina: Santa Cruz de Anhatomirim, São José da Ponta Grossa, Santo Antônio de Ratones e Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba. Foi responsável ainda pelo projeto da Casa do Governo e da igreja Matriz.

Silva Paes ordenou a abertura de um caminho entre Desterro e Laguna e recrutou o primeiro contingente militar para guarnecer o sul, atraindo inúmeras famílias portuguesas que vieram engrossar a população da Capitania. Com o apoio da Corte, promoveu a criação de um Regimento, dando origem ao Regimento de Linha, também chamado Barriga-Verde.
No governo de Silva Paes, fez-se a separação entre as Vilas de Laguna e de São Paulo, em 1742; a fixação de competência fiscal e administração da Fazenda Pública em Santa Catarina, em 1747, e a criação de uma Ouvidoria no Desterro, em 1749.

Logo que assumiu a frente da Capitania, Silva Paes compreendeu a necessidade de povoá-la. Dirigiu-se à Corte em carta de 23 de março de 1742; dizendo o quanto seria conveniente a vinda de casais açorianos: “seria utilíssimo, porque desenvolveria a agricultura e entre seus filhos se recrutariam os componentes das tropas que defenderiam o sul dos espanhóis”. Ainda na sua gestão, em 1748, recebeu a primeira leva de imigrantes açorianos. Em 02 de fevereiro de 1749 deixou o governo da capitania, passando-o ao coronel Manoel Escudeiro Ferreira de Souza. Regressou a Portugal e tornou-se o principal colaborador do brasileiro Alexandre de Gusmão na organização dos mapas que serviram nas discussões finais entre Espanha e Portugal acerca do Tratado de Madri para a fixação dos limites de suas terras na América do Sul.

José da Silva Paes passou o resto de seus dias em Lisboa, falecendo em 14 de novembro de 1760, na Freguesia dos Anjos – Fontainha, sendo sepultado no Convento de Nossa Senhora do Carmo.

Fontes:
TAVARES, 2000. p. 176.
PIAZZA, Walter F. O Brigadeiro José da Silva Paes: estruturador do Brasil meridional, 1988.

Contribution

Updated at 05/09/2016 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Projeto Fortalezas Multimidia (Elisangela), Projeto Fortalezas Multimidia (Gabriel).




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