Baccio di Philicaia

Italy

Baccio di Philicaia“, também grafado como “Baccio da Filicaia”, “Baccio di Filicaia” e “Bácio de Filicaia” (Florença, 1565 - Lisboa, 1609), foi um engenheiro militar natural da Toscana. Atuou em Portugal e no Brasil no contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), na passagem do século XVI para o XVII.

Biografia

Quando jovem viveu em Lisboa, certamente envolvido em negócios de família. Por razões económicas retornou a Florença, onde se apresentou ao Grão-Duque da Toscana, seu protetor.

Conhecedor de arquitetura militar, artilharia e cosmografia, e por Florença à época constituir-se em um reduto de grandes nomes da engenharia militar, de “virtuosi”, como o próprio Filicaia expressou, decidiu tentar a sorte em outras praças, reembarcando para Portugal, e dali passando para o Brasil. Pelo que informa em sua primeira carta, não deve ter vindo com o então Governador-geral do Estado do Brasil, D. Francisco de Sousa (1591-1602), tendo aportado a Salvador com aquele governo em andamento.

Naquela capital acredita-se que foi responsável pela reconstrução do Fortim de São Filipe (atual Fortim de Nossa Senhora de Monserrate), tendo exercido os cargos de Engenheiro-mor do Estado do Brasil (possivelmente tendo sido o primeiro a exercê-lo) e de capitão de artilharia.

A descoberta de jazidas de ouro pelos bandeirantes na capitania de São Vicente, na América portuguesa, despertou vivo interesse da Coroa portuguesa, motivando uma visita de D. Francisco de Sousa. Partindo de Salvador na Bahia em 1598, após escalas em Vitória e no Rio de Janeiro, aportou a Santos em 1599, de onde visitou São Vicente. Na comitiva, além de seu secretário, Pedro Taques, vinham o mineiro Jacques Oalte (Walter?), e os engenheiros Geraldo Beting (Betinck?) e Baccio da Filicaia. (MAGALHÃES, Basílio de. Expansão Geográfica do Brasil Colonial. 1935. p. 85. In: Brasiliana Eletrónica, disponível em http://www.brasiliana.com.br/obras/expansao-geografica-do-brasil-colonial Consultada em 20 jul 2015.)

Acerca das suas funções neste período Filicaia registou em correspondência: "Ocupou-me [D. Francisco de Sousa] em restaurar muitas [fortalezas] e fortificar outros portos de novo", e complementa: "(…) exercitei muitos bombardeiros e acomodei toda a artilharia das ditas praça-fortes". Cogita-se por essa razão a sua intervenção, à época, nos trabalhos do Forte de Santo António da Barra, do Reduto de Santo Alberto e na Torre de Santiago, em Água de Meninos, todos naquela capital.

Após a partida daquele governante para o reino, serviu ainda sob o seu sucessor, D. Diogo Botelho (1602-1607), que lhe determinou conquistar as regiões dos rios Maranhão e Amazonas. Seguiu nesta comissão com o posto de Sargento-mor, numa força sob o comando de um general português (cujo nome não refere), tendo participado de diversos combates com indígenas.

Ao fim da sua estada no Brasil, ainda de acordo com suas cartas, em 1607, em nave desarvorada, foi dar ao Caribe, de onde regressou a Lisboa. Pretendia regressar ao Brasil em companhia do D. Francisco de Souza, nomeado como Governador-geral no Rio de Janeiro (1609-1611) porém veio a falecer em 1609. (OLIVEIRA, 2004: 92-83).

Em sua homenagem em diversas cidades do Brasil, logradouros públicos receberam o seu nome.

Bibliografia

OLIVEIRA, Mário Mendonça de. “As Fortificações Portuguesas de Salvador”. 2004.

Contribution

Updated at 01/09/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Character > Baccio di Philicaia