José Custodio de Saa y Faria

Portugal

Nascido em Portugal (entre 1710 e 1723) e falecido na Argentina (na cidade de Luján), em 8 de janeiro de 1792, José Custódio de Sá e Faria foi um engenheiro militar, cartógrafo, arquiteto, geógrafo e administrador colonial do século XVIII que teve uma larga e importante trajetória nos territórios que hoje constituem o Brasil, a Argentina e o Uruguai, atuando na América portuguesa entre os anos de 1751 e 1777, e na América castelhana, de 1777 a 1792.

No Brasil, desempenhou suas atividades particularmente nos atuais estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio de Janeiro. Especialmente em cartografia e fortificações há quem afirme ter sido o mais capaz. Além das obras militares, a ele são atribuídos também os projetos ou reformulações de diversas igrejas importantes: no Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Buenos Aires, Montevidéu, Maldonado, etc.

Ingressou no exército português em 9 de abril de 1740, formando-se em engenharia e arquitetura na Academia Militar das Fortificações de Portugal em 1745.

Partiu de Lisboa para o Brasil em 1751 entre os demarcadores do Tratado de Madri (1750), e iniciou as suas tarefas como membro da Comissão Demarcadora que assentaria os limites entre as possessões ultramarinas dos reinos de Portugal e Espanha. 

Em 1760 teve confirmada pela Corte a sua patente de tenente-coronel (concedida por Gomes Freire de Andrada em 1756). Permaneceu no Rio Grande do Sul até março de 1761, quando partiu para o Rio de Janeiro, a chamado de Gomes Freire, que o encarregaria posteriormente de ir à Ilha de Santa Catarina para "reedificar as suas fortalezas e projetar e erigir alguns fortes que se faziam precisos para segurar os passos mais abertos daquela Ilha". (GOLIN, 1998: 37)

Sá e Faria regressou dessa missão no início de 1763, após realizar os projetos para os fortes de Santana do Estreito e de São Francisco Xavier da Praia de Fora (acervo do Arquivo Histórico do Exército/RJ) e um precioso levantamento iconográfico das demais fortificações da ilha catarinense (acervo da Biblioteca Mário de Andrade/SP), conjunto de mapas, prospectos, planos e demonstrações que seria ampliado ou complementado ou revisado em agosto de 1770, com o título de "Plano de Defesa da Ilha de Santa Catarina". (GOLIN, 1998: 83)

Em abril de 1763, os castelhanos - sob o comando de D. Pedro de Cevallos, governador do Rio da Prata -, tomaram os fortes de Santa Teresa e São Miguel (atual Uruguai, mas na época sob a posse portuguesa) e invadiram a vila de Rio Grande (no Rio Grande do Sul), a qual ocupariam até abril de 1776. Neste período coube a Sá e Faria reorganizar a administração e fortificar o território do Rio Grande, para o qual foi nomeado governador (fevereiro de 1764), tomando posse em junho daquele ano. Logo ergueu o Forte de São Caetano da Barranca, na chamada fronteira sul e o Forte de Taquari (mais ao norte, próximo a Rio Pardo), liderando posteriormente, em 1767, um frustrada tentativa de reconquista da Vila de Rio Grande. Deixou o governo gaúcho em abril de 1969, regressando ao Rio de Janeiro, onde, além de realizar projetos na capital (Fortaleza da Ilha das Cobras), continuou a prestar consultorias sobre as defesas do Sul do Brasil.

Entre 1772 e 1775, já como brigadeiro, atuou também em São Paulo e no Mato Grosso do Sul (Fortaleza de Iguatemi). Em 1776, na iminência de uma nova ação espanhola no sul do continente, comandada mais uma vez por D. Pedro de Cevallos, seu velho conhecido, Sá e Faria foi encarregado às pressas de colaborar com as defesas de Santa Catarina, alvo principal da expedição castelhana.

Após a tomada da ilha catarinense pelos espanhóis, em fevereiro de 1777, coube a ele negociar a rendição portuguesa. Após a capitulação, partiu com Cevallos para o Rio da Prata, não se sabe se de forma voluntária ou forçada, residindo inicialmente em Montevidéu e depois em Buenos Aires. Diante das severas punições impostas aos demais oficiais portugueses implicados na entrega da ilha catarinense, Sá e Faria decide continuar na Argentina e trabalhar para a coroa espanhola, com a ressalva de que jamais atuaria contra Portugal.

Sobre Sá e Faria escreveu Cevallos ao gabinete espanhol, em 12 de maio de 1777: "não há nas duas nações quem haja visto e reconhecido como ele, nem tenha seu conhecimento dos confins de ambos os domínios neste continente".

Radicado em Buenos Aires, em pouco tempo torna-se o arquiteto e urbanista mais importante da região. Paralelamente aos trabalhos cartográficos, Sá e Faria realiza uma verdadeira reurbanização da capital vice-reinal, assim como desenvolve projetos também para Montevidéu, Colônia do Sacramento, Maldonado, etc.

Em 1791, cansado e doente, Sá e Faria solicita a aposentadoria e retira-se para Luján, onde vem a falecer no início de 1792, após quinze anos de intenso trabalho no Rio da Prata e 40 anos de permanência na América. Está enterrado no Convento de Santo Domingo, em Buenos Aires.

 

Fontes:

1) GOLIN, Tau. A guerra guaranítica. Passo Fundo/Porto Alegre: Ediupf/Ufrgs, 1998.

2) Marcos Pinho de Escobar: http://euroultramarino.blogspot.com.br/2006/10/engenharia-portuguesa-no-rio-da-prata.html

 

Contribution

Updated at 19/09/2013 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Projeto Fortalezas Multimidia (Gabriel).




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