Sebastian of Portugal

Portugal

Sebastião I de Portugal (Lisboa, 20 de janeiro de 1554 - Alcácer Quibir, 4 de agosto de 1578), cognominado “o Desejado”, foi o décimo-sexto rei de Portugal.

Biografia

Era filho do príncipe D. João e de D. Joana de Áustria, sua prima. Eram seus avós paternos João III de Portugal e D. Catarina, e avós maternos o imperador Carlos V e a Imperatriz D. Isabel, esta última irmã de D. João III.

O príncipe D. João faleceu em 2 de janeiro de 1554, deixando o reino em sobressalto, uma vez que D. Sebastião ainda estava no ventre da sua mãe, D. Joana. D. João era o único filho sobrevivente dos nove que D. João III havia tido, e a sucessão do reino passou a depender do sucesso do parto. O problema da sucessão não era tanto a falta de herdeiros, mas devido ao contrato de casamento de D. Maria, irmã do falecido príncipe, com D. Felipe II de Castela, pelo qual, caso não houvesse sucessores, o reino passaria ao filho desta união, D. Carlos, ocorrendo a união com Castela, que os portugueses sempre rejeitaram.

Com o falecimento de D. João III, D. Sebastião ascendeu ao trono, então apenas com três anos de idade. Durante a sua menoridade, a regência foi assegurada primeiro pela sua avó, a rainha D. Catarina da Áustria, viúva de D. João III, e depois pelo tio-avô, o Cardeal D. Henrique (1562-1568). Neste período, para além da aquisição de Macau em 1557 e Damão em 1559, a expansão colonial foi interrompida. A premência era a conjugação de esforços para preservar, fortalecer e defender os territórios conquistados.

Durante a regência de D. Catarina e do cardeal D. Henrique e o curto reinado de D. Sebastião, a Igreja continuou a sua ascensão ao poder. A atividade legislativa centrou-se em assuntos do foro religioso, como por exemplo a consolidação da Inquisição e sua expansão até à Índia, a criação de novos bispados na metrópole e nas colónias. A única realização cultural importante foi o estabelecimento de uma nova Universidade em Évora – e também aqui a influência religiosa na Corte se fez sentir, pois a sua gestão foi entregue à Companhia de Jesus.

Investiu-se muito na defesa militar dos territórios. Na rota para o Brasil e a Índia, os ataques de corsários e piratas eram constantes e os muçulmanos ameaçavam as possessões em Marrocos, atacando, por exemplo, a Praça-forte de Mazagão (1562). Procurou-se assim proteger a marinha mercante e construir ou restaurar fortalezas ao longo do litoral.

Os bastiões no norte de África, pouco interessantes em termos comerciais e estratégicos, eram autênticos sorvedouros de dinheiro, sendo necessário importar quase tudo, além do que, sujeitos a constantes ataques, custavam muito em armamento e homens. Assim, posteriormente, Filipe II de Espanha em 1589 viria prudentemente a devolver aos mouros Arzila, oferecida a D. Sebastião em 1577 por Mulay Mohammed.

De fato, a preservação das praças portuguesas em Marrocos devia-se sobretudo à questão de prestígio e tradição. No entanto, estas evidências pouco interessavam a D. Sebastião, pois o seu grande sonho era conquistar Marrocos.

De saúde precária, D. Sebastião mostrou desde muito cedo duas grandes paixões: a guerra e o zelo religioso. Criado por Jesuítas, cresceu na convicção de que Deus o criara para grandes feitos, e, educado entre dois partidos palacianos de interesses opostos - o de sua avó que pendia para a Espanha, e o do seu tio-avô o cardeal D. Henrique favorável a uma orientação nacional -, D. Sebastião, desde a sua maioridade, afastou-se abertamente dum e doutro, aderindo ao partido dos validos, homens da sua idade, temerários a exaltados, que estavam sempre prontos a seguir as suas determinações.

Ao completar quatorze anos, D. Sebastião assumiu as rédeas do governo. Sem dar atenção aos conselhos de ninguém, sonhava com batalhas, conquistas e a expansão da Fé, profundamente convicto de que seria o capitão de Cristo numa nova cruzada contra os mouros do Norte de África. Após Mulei Mohammed ter solicitado a sua ajuda para recuperar o trono, D. Sebastião começou a preparar a expedição contra os marroquinos da cidade de Fez. Filipe II de Espanha, seu primo, recusou participar e adiou o casamento de D. Sebastião com uma das suas filhas para depois da campanha. D. Sebastião é criticado por nunca ter se interessado efetivamente pelo povo, por nunca ter reunido as Cortes e nem visitado o país, pensando apenas em recrutar um exército e armá-lo, pedindo auxílio a Estados estrangeiros, contraindo empréstimos a arruinando os cofres do reino.

À frente de um exército de cerca de 17.000 mil homens, dos quais cerca de um terço eram mercenários e aventureiros, partiu para o norte de África em junho de 1578: contava então com apenas 24 de idade. Embora os militares mais experimentados o aconselhassem a não se afastar da costa, de onde lhe poderia vir auxílio dos navios portugueses, o rei preferiu avançar para o interior com as suas tropas, alcançando a área de Alcácer Quibir a 3 de agosto. A 4, o exército português, esfomeado e cansado pela marcha e pelo calor, dirigido por um rei inexperiente, encontrou as forças muçulmanas em Alcácer Quibir, sendo completamente destroçado.

Na batalha D. Sebastião desapareceu: nenhum dos portugueses que regressaram informou ter visto o seu corpo. Tudo indica que pereceu em combate ou depois dele. A chegada da notícia desse desastre a Lisboa provocou cenas de perturbação e dor indescritíveis: das famílias nobres do país, poucas foram as que não tinham perdido um ou mais dos seus filhos e parentes. Outros tinham ficado cativos em Marrocos e iria ser preciso pagar grandes importâncias para os libertar.

A derrota portuguesa na batalha de Alcácer-Quibir, levou à crise dinástica de 1580, que por sua vez conduziu à perda da independência para a dinastia Filipina e ao nascimento do mito do Sebastianismo.

Durante os anos que se seguiram, o povo português passou a acreditar que D. Sebastião não tinha falecido na batalha e que iria regressar ao país numa noite de nevoeiro. Reclamaria então para si o trono e o reino ganharia de novo a sua independência. Esta crença popular ficou conhecida na história com o nome de “Sebastianismo”.

Em 1582, Filipe II de Espanha mandou transladar para o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, um corpo que alegava ser o do desaparecido monarca, na esperança de acabar com o Sebastianismo, o que não resultou, nem se pôde comprovar ser o corpo realmente o de D. Sebastião. O túmulo em mármore, repousa sobre dois elefantes.

Alguns dos grandes escritores portugueses, como Luís de Camões, Almeida Garrett e Fernando Pessoa, fizeram alusões em suas obras sobre o sebastianismo, dando corpo ao mito. Essa lenda que povoou o imaginário coletivo português ao longo dos séculos, teve reflexos no Brasil.

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Contribution

Updated at 08/12/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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