John III of Portugal

Portugal

João III de Portugal (Lisboa, 6 de Junho de 1502 — Lisboa, 11 de Junho de 1557), conhecido pelo cognome de "o Piedoso" ou “O Pio” pela sua devoção religiosa, foi o décimo quinto rei de Portugal (1521-1557).

Biografia

Filho de D. Manuel I e de D. Maria de Castela, teve uma educação esmerada, a cargo de humanistas, físicos e cosmógrafos de nomeada como o humanista Luís Teixeira e o médico Tomás de Torres. A partir de 1514, D. Manuel começou a introduzi-lo nas matérias do governo e, em 1517, preparava-se o seu casamento com a princesa D. Leonor de Áustria, irmã de Carlos V, mas esta veio a casar com Manuel I de Portugal, que entretanto enviuvara de D. Maria. Desposou, em 1525, D. Catarina de Áustria, irmã da rainha D. Leonor e de Carlos V.

Quando subiu ao trono, aos 19 anos de idade, Portugal estava no apogeu da expansão ultramarina por vários continentes, mas também com problemas de uma grande complexidade.

No plano interno, continuou a política centralizadora e absolutista dos seus antecessores. Governou apenas com o auxílio do Secretário de Estado, António Carneiro e seus dois filhos Francisco e Pêro de Alcáçova Carneiro. Convocou Cortes apenas três vezes, e em períodos bem espaçados: Torres Novas (1525), Évora (1535), e Almeirim (1544). Procurou reestruturar a vida administrativa e judicial, expedindo centenas de regimentos, alvarás e cartas-régias. Em seu reinado começaram a sentir-se graves crises económicas, que obrigaram ao recurso a empréstimos externos. Agravou-se o défice comercial. Surgiram fomes e epidemias.

Na política ultramarina, a extensão e dispersão do império eram um obstáculo à administração, que tinha custos enormes. Nos primeiros anos do seu reinado vão prosseguir as explorações no Extremo Oriente, chegando-se à China e ao Japão. Mas os problemas na Índia acentuaram-se, com avanços e recuos. Os Turcos acentuaram a sua pressão e os ataques ao monopólio comercial português. Os encargos eram enormes. Assim, D. João III tomou como resolução o abandono das praças de Safim, Azamor, Alcácer Ceguer e Arzila, no Norte de África. Para contrabalançar estas perdas avançou com a exploração e o povoamento do Brasil, primeiro pelo sistema de capitanias. Mais tarde, para melhor poder resistir aos ataques exteriores e para garantir uma melhor administração de todo o território, nomeou Tomé de Sousa como Governador-geral. Durante o seu reinado foi obrigado a negociar as Molucas com Espanha, no tratado de Saragoça, adquiriu novas colónias na Ásia - Chalé, Diu, Bombaim, Baçaim e Macau e um grupo de portugueses chegou pela primeira vez ao Japão em 1543, estendendo a presença portuguesa de Lisboa até Nagasaki.

Nas relações com países estrangeiros, o seu reinado foi de uma intensa atividade diplomática. Com a Espanha, faz alianças de casamentos (D. João III com D. Catarina; D. Isabel com Carlos V; D. Maria com Filipe II, entre outros), que asseguraram a paz entre os dois povos. Quanto à França, manteve-se neutral na luta desta com a Espanha, mas combateu os ataques dos corsários franceses. Com Roma, deu-se um fortalecimento de relações com a introdução da Inquisição em Portugal, já pedida por D. João I e com a adesão do clero português à Contrarreforma. Com a Inglaterra, intensificaram-se as relações comerciais, o mesmo acontecendo com os países do Báltico e a Flandres, através da feitoria de Antuérpia.

No plano cultural foi significativa a adesão e o apoio do soberano à cultura humanista. Nas Letras destacaram-se Gil Vicente (aquando do nascimento de D. João foi representado na câmara da rainha o “Auto da Visitação” ou “Monólogo do Vaqueiro”), Garcia de Resende, Damião de Góis, Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro, André Resende, Diogo de Teive, João de Barros e sobretudo Luís de Camões. Nas Ciências, destacaram-se Pedro Nunes e Garcia de Orta. O monarca atribuiu bolsas de estudo em países estrangeiros; transferiu definitivamente a Universidade para Coimbra, fundou colégios, alargou o ensino pelo país, apoiando os Jesuítas, que foram admitidos em Portugal. Apoiou também a missionação pelos vários continentes, processo em que sobressaíram São Francisco Xavier no Oriente e o padre Manuel da Nóbrega no Brasil.

Uma das grandes questões do reinado de D. João III teve a ver com a sucessão dinástica. Apesar de ter tido vários filhos, eles foram morrendo precocemente, o que punha em causa a sucessão ao trono. A partir de 1539, o sucessor era o príncipe D. João, que desposou D. Joana, filha de Carlos V. Mas o príncipe D. João veio a falecer quando a princesa estava prestes a dar à luz D. Sebastião, que nasceu em janeiro de 1554.

Adoeceu após 1550 e teve grave doença perigosa em 1555. Morreu dois anos depois de acidente vascular cerebral, ou apoplexia, em Lisboa, estando sepultado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

Contribution

Updated at 06/12/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Character > John III of Portugal