Afonso I de Portugal

Portugal

Afonso I de Portugal, popularmente referido como D. Afonso Henriques (Guimarães, Coimbra ou Viseu, c. 1109 – Coimbra, 6 de dezembro de 1185), foi o fundador do Reino de Portugal e o seu primeiro rei. São lhe dados os cognomes de "O Conquistador", "O Fundador" ou "O Grande".

Biografia

Era filho de D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa, infanta de Leão, filha ilegítima de Afonso VI de Leão e Castela, a quem Afonso VI doara o condado de Portucale pelo casamento.

A data e local do seu nascimento não estão determinados de forma inequívoca. Em nossos dias, a data que reúne maior consenso aponta para o Verão de 1109. Almeida Fernandes, autor da hipótese que aponta Viseu como local de nascimento refere a probabilidade de ter nascido em agosto, enquanto outros autores, baseando-se em documentos que remontam ao século XIII, referem a data de 25 de julho do mesmo ano. No entanto, historiograficamente foram defendidas outras datas e locais para o seu nascimento, como o ano de 1106 ou o de 1111 (hipótese avançada por Alexandre Herculano após a sua leitura da "Crónica dos Godos"). Tradicionalmente, acredita-se que terá nascido e sido criado em Guimarães, onde viveu até 1128. Outros autores referem ainda Coimbra como local provável para o seu nascimento.

Em 1120, o jovem Afonso, sob a direção do então arcebispo da Arquidiocese de Braga, D. Paio Mendes, tomou uma posição política oposta à da mãe, que apoiava o partido dos Travas que pretendiam tomar a soberania do espaço galaico-português. O arcebispo, forçado a emigrar, levou consigo o infante que, em 1122, armou-se cavaleiro em Tui ou, segundo outas fontes, em Zamora.

Restabelecida a paz, retornaram ao condado. Entretanto, novos incidentes provocaram a invasão do condado Portucalense pelas forças de Afonso VII de Leão e Castela que, em 1127, cercou Guimarães, onde se encontrava Afonso Henriques. Sendo-lhe prometida a lealdade deste pelo seu aio Egas Moniz, Afonso VII desistiu de conquistar a cidade.

Alguns meses depois, em 1128, as tropas conjuntas de Teresa de Leão e Fernão Peres de Trava defrontaram-se com as de Afonso Henriques na batalha de São Mamede, tendo as do infante saído vitoriosas – o que consagrou a sua autoridade no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado. Consciente da importância das forças que ameaçavam o seu poder, concentrou os seus esforços em negociações junto da Santa Sé com um duplo objetivo: alcançar a plena autonomia da Igreja portuguesa e obter o reconhecimento do Reino.

Em 1139, após uma estrondosa vitória na batalha de Ourique contra um forte contingente muçulmano, Afonso Henriques autoproclamou-se "rex" (rei) de Portugal, com o apoio das suas tropas. Segundo a tradição, a independência foi confirmada mais tarde, nas míticas cortes de Lamego, quando recebeu a coroa de Portugal do então arcebispo de Braga, D. João Peculiar, embora estudos recentes questionem a reunião dessas cortes. Em 1140 Afonso assinou pela primeira vez "Ego Alfonsus portugalensium Rex".

D. João Peculiar procurou conciliar Afonso Henriques com seu primo, Afonso VII de Leão e Castela, conseguindo que os dois se encontrassem em Zamora nos dias 4 e 5 de outubro de 1143, na presença do cardeal Guido de Vico. Pelo diploma então assinado, o Tratado de Zamora (5 de outubro), Afonso VII concordou em que o Condado Portucalense passasse a ser reino, tendo D. Afonso Henriques como seu "rex", comprometendo-se então o monarca português, ante o cardeal, a considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual. A partir de então Afonso Henriques enviou ao Papa remissórias declarando-se seu vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente uma determinada quantia de ouro. Afonso VII, embora reconhecesse a independência de Afonso Henriques continuava a ser o seu senhor, pois para além de ser rei de Leão e Castela se considerava "imperator" (imperador) de toda a Hispânia. Afonso Henriques, entretanto, jamais lhe prestou vassalagem, constituindo caso único entre todos os reis então existentes na península Ibérica.

Em 1179 o Papa Alexandre III enviou a Afonso Henriques a Bula "Manifestis probatum", documento em que aceita que Afonso Henriques lhe preste vassalagem direta, e que reconhece definitivamente a independência do Reino de Portugal, sem vassalagem em relação a Afonso VII de Leão e Castela pois nenhum vassalo podia ter dois senhores diretos, e Afonso Henriques como primeiro rei de Portugal, ou seja, Afonso I de Portugal.

Nesse ínterim, com a pacificação interna, prosseguiu as conquistas aos muçulmanos, empurrando as fronteiras para sul: Leiria (1135, e definitivamente em 1145), Santarém (1146, e definitivamente em 1147), Lisboa (1147, com o apoio de Cruzados do norte da Europa), Almada e Palmela (1147), Alcácer (1160) e depois quase todo o Alentejo, que posteriormente seria recuperado pelos muçulmanos pouco antes de D. Afonso I falecer (1185). Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe "Ibn-Arrik" ("filho de Henrique") ou "El-Bortukali" ("o Português").

De 1166 a 1168, D. Afonso I apoderou-se de várias praças pertencentes à coroa leonesa. Fernando II de Leão estava a repovoar Ciudad Rodrigo e o português, suspeitando que o seu genro estava a fortificar a cidade para o atacar, enviou um exército comandado pelo seu filho, o infante D. Sancho, contra aquela praça. O rei leonês foi em auxílio da cidade ameaçada e derrotou as tropas portuguesas, fazendo um grande número de prisioneiros.

Em resposta, D. Afonso I irrompeu pela Galiza, conquistou Tui e vários outros castelos e, em 1169 atacou Cáceres. Depois voltou-se contra Badajoz na posse dos muçulmanos, cuja conquista, de direito, pertenceria a Leão. Tendo imposto cerco a Badajoz para conquistá-la para Portugal, e quando os muçulmanos já estavam restritos à alcáçova, Fernando de Leão apresentou-se com as suas hostes e atacou D. Afonso nas ruas da cidade. Percebendo a impossibilidade de manter a luta, D. Afonso tentou retirar a cavalo mas, ao passar pelas portas, feriu-se na coxa contra um dos ferros que a guarneciam, caindo prisioneiro. Fernando tratou D. Afonso, seu sogro, com nobreza e generosidade, chamando os seus melhores médicos para o tratar.

Esta campanha teve como resultado um tratado de paz entre ambos os reinos, assinado em Pontevedra, em virtude do qual D. Afonso I foi libertado, com a única condição de devolver a Fernando cidades estremenhas (da Estremadura espanhola) tais como Cáceres, Badajoz, Trujillo, Santa Cruz, Monfragüe e Montánchez, que havia conquistado a Leão. Estabeleciam-se assim as fronteiras de Portugal com Leão e a Galiza. E mais tarde, quando os muçulmanos sitiaram Santarém, o leonês auxiliou imediatamente o rei português.

Após o incidente de Badajoz, a carreira militar de D. Afonso I praticamente terminou. A partir daí, dedicou-se à administração dos territórios com a co-regência do seu filho D. Sancho I. Procurou fixar a população, promoveu o municipalismo e concedeu forais. Contou com a ajuda da ordem religiosa dos cistercienses para o desenvolvimento da economia, predominantemente agrária.

O legado do seu reinado foi, entre outros:

- A fundação da nacionalidade, reconhecida pelo papado e pelos outros reinos da Europa;

- A pacificação interna do reino e alargamento do território através de conquistas aos muçulmanos empurrando as fronteiras do Condado Portucalense para o sul;

- A fundação do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em 1131.

O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, em frente ao do filho e herdeiro, Sancho I de Portugal.

Related fortifications

Contribution

Updated at 06/12/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Character > Afonso I de Portugal