Sancho II de Portugal

Portugal

Sancho II de Portugal (Coimbra, 8 de setembro de 1209 - Toledo, 4 de janeiro de 1248), cognominado “O Capelo” por haver usado um enquanto criança, também referido como “O Pio” ou “O Piedoso”, foi o quarto rei de Portugal.

Biografia

Filho de Afonso II de Portugal e de D. Urraca de Castela, subiu ao trono em março de 1223. Contando com apenas 13 anos de idade, neste momento o governo do reino esteve a cargo de ricos-homens que apressaram o jovem rei a regularizar as relações com a Igreja. Desse modo retomaram-se as negociações já iniciadas com o seu pai para uma reconciliação do poder estatal com o poder eclesiástico, uma vez que o rei falecera excomungado e o reino estava sob interdito, vindo a estabelecer-se uma concórdia com 10 artigos. Solucionou-se também o conflito com as infantas, irmãs de D. Afonso II por disputa de senhorios.

Resolvidas estas questões procurou D. Sancho II dedicar-se à administração do país, concedendo forais a diversas povoações. Iniciou também uma nova fase de expansão territorial, que durou todo o seu reinado e terminou apenas sob D. Afonso III. Aproveitando-se das lutas que Afonso IX de Leão mantinha com os Muçulmanos, o monarca iniciou uma campanha no Alentejo. Entre 1226 e 1239 conquistou todo o Alentejo - Elvas, Jurumenha, Serpa, Aljustrel, Mértola, Ayamonte e possivelmente Cacela e Tavira - tendo, para tal, muito contribuído a ação da Ordem de Santiago. Esta Ordem militar recebeu como recompensa dos serviços prestados diversas povoações, tais como Aljustrel, Sesimbra, Aljafar de Pena, Mértola, Ayamonte e Tavira.

Casou, cerca de 1240, com D. Mécia Lopes, neta de Afonso IX de Leão e viúva de Álvaro Peres de Castro. Deste casamento não houve descendência.

Apesar da sua atuação militar, no que concerne à administração revelou-se débil e indeciso, de tal modo que aquela se tornou desleixada e descuidada. Os nobres abusavam pela sua prepotência de vencedores, os bispos aproveitavam os distúrbios causados por aqueles para se imiscuírem na vida pública e política. A luta entre homens da Igreja e ricos-homens tornou-se quase permanente. Também as ordens monásticas reclamaram dos abusos por parte dos nobres. O bispo do Porto, Martinho Rodrigues, queixou-se ao papa de que o rei usurpava o direito de jurisdição sobre a cidade, que dependia da Sé. O papa admoestou o rei, que pareceu submeter-se. Também o bispo de Lisboa se revoltou contra o rei, acusando-o de ofender as liberdades religiosas. Mais uma vez o papa recorreu a admoestações. Contudo, quando em 1238 outras queixas, do novo bispo do Porto, se levantaram contra o rei, o bispo de Salamanca lançou um interdito que o papa confirmou. Todas estas queixas mostram a desordem que grassava no reino devido às constantes brigas entre nobres e clero, brigas que o rei se mostrava incapaz de sanar. Todas estas queixas por parte do clero foram ainda agravadas por intrigas alimentadas pelo príncipe D. Afonso, que desde 1238 vivia em Bolonha. No Concílio de Lião (1245), prelados e nobres portugueses descreveram a desordem do reino em termos tais que deles se pode inferir a deposição do rei. A resposta por parte do papa foi uma bula onde dizia dever incumbir-se da restauração do reino alguém ativo e prudente, e que esse alguém só poderia ser D. Afonso. Numa assembleia de prelados e nobres portugueses, reunida em Paris, D. Afonso jurou que guardaria e faria guardar todos os privilégios, foros e costumes dos municípios, cavaleiros, peões, religiosos e clérigos seculares do reino. Em finais de 1245 ou nos princípios do ano seguinte, o conde de Bolonha desembarcou em Lisboa. Da luta entre partidários do rei e de D. Afonso saiu vitoriosa a facção de D. Afonso. D. Sancho II retirou-se para Toledo, onde viria a falecer pouco tempo depois.

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Contribution

Updated at 06/12/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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