John II of Portugal

Portugal

João II de Portugal (Lisboa, 3 de maio de 1455 – Alvor, 25 de outubro de 1495), cognominado “O Príncipe Perfeito” pela forma como exerceu o poder, foi o décimo-terceiro rei de Portugal.

Biografia

Nasceu no Paço das Alcáçovas, no Castelo de São Jorge, filho de Afonso V de Portugal e de Isabel de Coimbra, princesa de Portugal.

A 22 de janeiro de 1471, em Setúbal, desposou Leonor de Viseu, princesa de Portugal e sua prima direita, filha do infante D. Fernando. Fruto desta união, nasceria, em 1475, o infante D. Afonso.

Como príncipe, acompanhou o pai nas campanhas no norte de África, tendo sido armado cavaleiro na tomada de Arzila, a 21 de agosto de 1471, junto ao corpo do conde de Marialva, que perecera no combate.

Em 1474 assumiu a direção da política de expansão marítima, momento em que D. Afonso V travava luta com os castelhanos. A 25 de abril do ano seguinte, assumiu a regência do reino que, por ir socorrer o pai a Espanha, passara para o encargo de D. Leonor. Participou, a 2 de março de 1476, na batalha de Toro.

Subiu ao trono após a morte do pai, em 1481.

Desde a juventude D. João não era popular junto dos pares do reino, uma vez parecia ser imune a influências externas e desprezava a intriga. Os nobres poderosos do reino, nomeadamente Fernando II, duque de Bragança, tinham medo da sua governação e, assim que ganhou as rédeas do país, D. João provou que tinham razão para isso.

Após a sua ascensão ao trono, o monarca tomou uma série de medidas visando retirar poder à aristocracia e a concentrá-lo em si próprio. De imediato iniciaram-se conspirações, embora o monarca, a princípio tenha adotado uma posição de mero observador. Cartas de reclamação e pedidos de intervenção foram trocadas entre o duque de Bragança e os Reis católicos de Espanha. O escrivão da Fazenda Real em Vila Viçosa e um mensageiro, entregaram ao rei correspondência comprometedora com os Reis Católicos em 1483. Foi o próprio monarca quem prendeu o duque de Bragança, ao fim de uma conversa a sós, em Évora. O duque foi julgado ao longo de 22 dias, em uma sala revestida de tapetes, à volta de uma mesa onde se encontravam 21 juízes, fidalgos e cavaleiros, com o rei sentado no topo e, em algumas sessões, com o réu a seu lado. A votação, iniciada com um discurso do monarca, consumiu dois dias e terminou com a condenação do duque à morte. No dia seguinte, 20 de junho de 1483, D. Fernando foi degolado na praça de Évora, diante do povo. O episódio é narrado pelos cronistas Garcia de Resende e Rui de Pina.

No ano seguinte, o duque de Viseu, D. Diogo, primo e cunhado de D. João II (irmão da rainha D. Leonor), concebeu um plano para apunhalar o soberano na praia, em Setúbal. Um dos envolvidos avisou o monarca, que decidiu viajar por terra, inviabilizando o plano dos conspiradores. Mandou então chamar ao palácio o duque e apunhalou-o pessoalmente. Depois de eliminar o cunhado, o rei enviou dois emissários à mãe do duque, comunicando o ocorrido. Chamou ainda um irmão do falecido, D. Manuel, e explicou-lhe que tinha esfaqueado o duque porque ele "o quisera matar", prometendo-lhe que, se o príncipe D. Afonso viesse a falecer, e não tivesse mais nenhum filho legítimo, ficaria D. Manuel como herdeiro de todos os seus reinos e senhorios.

Na sequência, mais de 80 pessoas foram perseguidas por suspeita de envolvimento nesta conspiração. Outras foram executadas, assassinadas ou exiladas para Castela, incluindo o bispo de Évora, D. Garcia de Meneses, envenenado na prisão. Diz a tradição que D. João II comentou à época, em relação à limpeza no país: “Eu sou o senhor dos senhores, não o servo dos servos.

Pouco depois de subir ao trono, em 1482, D. João II centralizou na Coroa a exploração e comércio na costa da Mina e golfo da Guiné, determinando a construção de uma feitoria para apoiar o florescente comércio do ouro de aluvião na região. Sob o comando de Diogo de Azambuja foi rapidamente construído o "Castelo de São Jorge da Mina" com pedra previamente talhada e numerada em Portugal, enviada como lastro nos navios, sistema de construção depois adotado para numerosas fortificações no Ultramar.

Grande defensor da política de exploração atlântica iniciada pelo seu tio-avô o Infante D. Henrique, os descobrimentos portugueses foram a sua prioridade governamental, em busca do caminho marítimo para a Índia. Durante o seu reinado alcançaram-se os seguintes feitos:

- 1484 – Diogo Cão descobriu a foz do rio Congo e explorou a costa da Namíbia;

- 1488 – Bartolomeu Dias cruzou o cabo da Boa Esperança, tornando-se no primeiro europeu a navegar no Oceano Índico vindo de oeste;

- 1493 – Álvaro de Caminha iniciou a colonização das ilhas de São Tomé e Príncipe, sendo a ilha do Príncipe batizada em homenagem ao único filho e herdeiro do rei, Afonso, Príncipe de Portugal (1475);

- Foram enviadas expedições por terra lideradas por Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva ao Cairo, Adém, Ormuz, Sofala e Abissínia, a terra do lendário Preste João, donde enviam relatórios sobre essas paragens, ficando D. João II com a certeza de poder atingir a Índia por mar;

- 1493-1494 – D. João II contestou a Bula Inter Coetera e negociou um tratado diretamente com os Reis Católicos: o Tratado de Tordesilhas;

- 1495 – Delineou a primeira viagem no caminho marítimo para a Índia. O comando foi inicialmente atribuído a Estevão da Gama. Contudo, dada a morte de ambos, foi delegado em 1497 por Manuel I de Portugal ao filho de Estevão, Vasco da Gama.

A questão da sua sucessão foi outro tema de relevo em termos ibéricos. Os reis católicos tinham várias filhas, mas apenas um filho, Juan, de saúde frágil. A filha mais velha, Isabel, era casada com o príncipe Afonso de Portugal desde a infância. Se Juan morresse sem deixar herdeiros, o mais provável seria Afonso, único filho de João II, tornar-se rei não apenas de Portugal, mas também de Castela e Aragão. Esta ameaça à coroa espanhola era bem real: Fernando de Aragão e Isabel I de Castela tentaram todas as vias diplomáticas para dissolver o casamento, sem qualquer sucesso. Finalmente, em 1491, o príncipe Afonso veio a falecer em consequência de uma misteriosa queda de cavalo durante um passeio à beira do rio Tejo.

Durante o resto da sua vida, D. João II tentou, sem sucesso, obter a legitimação do seu filho bastardo, D. Jorge, duque de Coimbra, fruto da sua relação adúltera com D. Ana Furtado de Mendonça, filha de um fidalgo da corte e dama de honra da princesa D. Joana, a Beltraneja.

O soberano faleceu em 1495, sem herdeiros legítimos. Antes de falecer escolheu Manuel de Viseu, duque de Beja, seu primo direito e cunhado (era irmão da rainha Leonor) como seu sucessor.

A rainha Isabel, a Católica, de Castela, por ocasião da sua morte, terá afirmado “Murió el Hombre!”.

Jaz no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha.

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Contribution

Updated at 06/12/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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