Afonso VI of Portugal

Portugal

Afonso VI de Portugal (Lisboa, 21 de agosto de 1643 - Sintra, 12 de setembro de 1683), cognominado “O Vitorioso”, foi o vigésimo segundo rei de Portugal, tendo reinado de 15 de novembro de 1656 a 1668.

Biografia

Foi o 6º filho de João IV de Portugal e de D. Luísa de Gusmão. Tendo nascido apenas como Infante de Portugal, não estava destinado a reinar nem foi preparado para tal, em virtude do herdeiro da coroa ser o seu irmão mais velho, D. Teodósio de Bragança, Príncipe do Brasil.

Com 3 ou 4 anos de idade foi atingido por uma “febre maligna” (acredita-se uma meningoencefalite) que lhe afetou o lado direito do corpo, e que se repercutiu ao longo de sua vida em variados aspectos, desde políticos a familiares e sexuais.

A morte prematura do irmão mais velho, D. Teodósio (13 de maio de 1653) tornou-o herdeiro do trono. Com a morte do pai (1656), uma vez que D. Afonso tinha apenas treze anos, D. Luísa de Gusmão assumiu a regência do reino.

A regência de D. Luísa centrou-se, inicialmente, na organização do governo de modo a impor-se às facções palacianas em jogo. Nomeou D. Francisco de Faro, conde de Odemira, para aio de D. Afonso e manteve os oficiais da Casa Real que exerciam tais funções no tempo do seu marido. A Pedro Vieira da Silva e Gaspar Faria Severim, comendador de Moura, coube o Conselho de Estado. Porém a rivalidade entre D. Francisco e o Conde de Cantanhede dificultou a regência da mãe de D. Afonso. Esta viu-se obrigada a nomear a “Junta Noturna”, assim conhecida por ter reuniões à noite. Para além dos dois nobres em disputa, constavam nela outros oficiais de confiança, como o marquês de Nisa, Pedro Fernandes Monteiro, o conde de São Lourenço e Frei Domingos do Rosário, diplomata experiente. Esta Junta teve bastante utilidade e agilidade aos comandos dos negócios públicos.

Em consequência da doença, D. Afonso VI sofria de diminuições físicas e mentais, apresentando um comportamento inapropriado para a sua condição de monarca: envolvia-se em cenas de rua e rodeava-se de más companhias, companhias essas que, por vezes, levava para a Corte e que sobre ele exerciam forte domínio e influência, como por exemplo o italiano António Conti, que insinuou-se-lhe de tal maneira junto ao jovem que em breve passou a viver no Paço, a convite de D. Afonso VI e a ter influência nos negócios do governo do reino.

A regente, perante a incapacidade governativa do monarca, convocou um Conselho de Estado, no qual afastou Afonso VI e fez jurar D. Pedro, irmão de D. Afonso VI, como herdeiro do trono.

O partido afecto a D. Afonso VI lançou-se abertamente na luta contra a regente, sob a orientação de D. Luís de Vasconcelos e Sousa, 3.º conde de Castelo Melhor, que culminou com o afastamento dela para um convento e a devolução do governo a D. Afonso VI (1663).

A 27 de junho de 1666, depois de várias tentativas de casamento falhadas, casou por procuração com D. Maria Francisca Isabel de Saboia. Sem que o mesmo se tivesse consumado, a nova rainha pediu a anulação do casamento e ligou-se ao partido de D. Pedro e afastou o conde da Corte. A 23 de novembro de 1667, D. Afonso VI abdicou do poder em favor do irmão, e foi detido em Sintra. A 24 de março de 1668, o seu casamento foi anulado e, em 1669, foi desterrado para Angra, na ilha Terceira, nos Açores. Em 1674, regressou ao reino e foi confinado no Palácio de Sintra, onde veio a falecer, sem ter deixado descendência.

Foi sepultado no Mosteiro dos Jerónimos e posteriormente trasladado para o Mosteiro de S. Vicente de Fora.

Jaz juntamente com seu irmão D. Pedro II e D. Maria Francisca no Panteão dos Braganças em Lisboa.

O desenvolvimento da Guerra da Restauração

Foram cinco as vezes em que os portugueses combateram os espanhóis durante o reinado de D. Afonso IV, no desenvolvimento da Guerra da Restauração (1640-1668), sempre em menor número que os adversários. Logo no início do ano de 1657, a regente foi informada pelo conde de Soure que os espanhóis reuniam tropas para invadir Portugal na Primavera. Pouco tempo depois o general português André de Albuquerque precisou o local de ajuntamento das tropas: a cidade fronteiriça de Badajoz. Constava ainda que o próprio monarca espanhol viria dirigir um poderoso exército a Mérida.

Nessa conjuntura, o conde de São Lourenço substituiu o conde de Soure no comando das operações militares no Alentejo. Providenciou a nomeação de capitães nas praças de Castelo de Vide, Marvão e Vila Viçosa e chamou reforços de Trás-os-Montes, das Beiras e do Algarve. A zona do rio Guadiana foi, em princípios de abril de 1657, dominada pelos espanhóis, não tendo as praças-fortes de Olivença e de Mourão resistido. Já em 1658 soube-se da pretensão das tropas de Filipe IV de Espanha em ocupar Vila Viçosa. Surgiu nesse momento um dos grandes generais do conflito: D. Sancho Manoel, governador da Praça-forte de Elvas. D. Luís de Haro e as suas tropas, cerca de 20 mil homens e muita artilharia, cercaram Elvas, cerco este que se manteve durante três meses. Dentro das muralhas, os defensores resistiram ao fogo diário da artilharia espanhola. A isto somava-se um número de cerca trezentos mortos por dia como resultado da peste que também se abateu sobre os militares portugueses na praça. Aguardavam-se os reforços vindos de todo o país, sob o comando do conde de Cantanhede, António Luís de Menezes, que não tardaram a chegar. A batalha a ser travada era decisiva, uma vez que estava em causa o controlo de Lisboa. Feriu-se a 14 de janeiro de 1659, nos campos de Elvas, ganha pelos portugueses. D. Sancho recebeu em recompensa por sua bravura em Elvas, o título de conde de Vila Flor.

Em 1661 foi assinado o Tratado Luso-Britânico, que visava o apoio mútuo entre Portugal e a Inglaterra. Pelos seus termos, a princesa portuguesa D. Catarina de Bragança foi proposta em casamento a Carlos II de Inglaterra, que aceitou. Em causa estava também um vasto dote que Portugal teria que pagar pelo matrimónio – inclusive as praças-fortes de Tânger, no norte de África, e Bombaim, na Índia -, e comprometeu-se a transferir para os ingleses a maioria das praças recuperadas aos neerlandeses, repartir ao meio o comércio da canela, instalar famílias inglesas com os mesmos privilégios dos portugueses em Goa, Cochim, Diu, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro. Em troca a Inglaterra daria suporte militar a Lisboa, protegendo as embarcações portuguesas no Mediterrâneo e nas costas de Lisboa e do Porto. A França, apesar da sua rivalidade com a Inglaterra, não fez nenhuma objeção a este tratado, graças ao apoio do ministro Turenne, que permitiu a vinda a Portugal do general alemão Schomberg, contratado em 1660 pelo conde de Soure, acompanhado de mais 600 oficiais e soldados para servir na fase mais crítica da Guerra da Restauração. Ver a Espanha enfraquecida face à hegemonia da França, decerto correspondia aos objetivos de Luís XIV. Assim, além de não hostilizar o tratado, a França firmou um tratado de liga formal com D. Afonso VI, que contribuiu posteriormente para a paz com Espanha.

Com os Países Baixos as relações externas não eram tão pacíficas, visto ser este país um dos grandes inimigos de Portugal, por se ter apoderado de várias capitanias do Brasil e outros portos de pertença portuguesa, em África e no Oriente, aquando do domínio filipino (Ceilão, Cranganor, Negapatão, Cochim, Coulão e Cananor). Após um tratado ratificado ao tempo de D. João IV, as hostilidades cessaram durante 10 anos. Porém, os territórios continuavam a ser ainda Neerlandeses. Após várias propostas de devolução das capitanias do Brasil em troca de regalias no comércio do sal de Setúbal e pagamento de três milhões e meio de cruzados, arrastaram-se as negociações até que, em agosto de 1661, o tratado de paz foi assinado. Ratificado por D. Afonso VI a 24 de maio de 1662, mesmo ficando por regular alguns pontos decorrentes da aplicação do tratado, Portugal teve que contribuir com quatro milhões de cruzados e a restituição da artilharia dos neerlandeses, a pagar no prazo de 16 anos.

Em 1663 D. Juan José de Áustria, filho bastardo de Filipe IV de Espanha, invadiu Portugal, apoderou-se de Évora e Alcácer do Sal, que acabou por perder. O conde de Castelo Melhor tratou de organizar as forças para repelir esta invasão, colocando à frente das mesmas D. Sancho Manuel, conde de Vila Flor, e o conde de Schomberg. Seguiu-se uma série de combates e de vitórias: a reconquista de Évora, a tomada de Assumar, Ouguela, Veiros, Monforte, Crato e Borba, Figueira de Castelo Rodrigo, Ameixial (1663).

Seguiram-se as batalhas de Castelo Rodrigo (1663), comandada por Pedro Jacques de Magalhães, e a de Montes Claros (1665), cujo comando coube ao 3º conde de Cantanhede, D. António Luís de Meneses, depois marquês de Marialva, e ao conde de Schomberg. Depois desta batalha, apenas se registaram escaramuças de fronteira. Os espanhóis, já cansados de tanto lutar, começaram a tratar da paz, que o conde de Castelo Melhor só queria aceitar com as condições a que nos dava direito a nossa constante supremacia militar. Assim, o conde exigia que a Espanha nos cedesse uma porção do seu próprio território, queria a Galiza, e com certeza o conseguiria, se as intrigas da corte o não houvessem precipitado do poder.

Contribution

Updated at 06/12/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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