Giovan Giacomo Palearo Fratino

Switzerland

Giovan Giacomo Palearo (ou Paleari) Fratino (Morcote, Distrito de Lugano, Antiga Confederação Helvética, 1520 - Pamplona, Navarra, 31 de maio de 1586), apelidado de “El Fratín" (o pequeno frade), foi um engenheiro militar que serviu o Imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico (1520-1558) e depois filho deste, Filipe II de Espanha (1558-1598). Ao longo de sua carreira trabalhou em inúmeras fortificações em todo o território espanhol, que à época incluía Portugal, partes da atual Itália e presídios no norte de África, e destacou-se como criador da primeira Torre Martello.

Biografia

Giacomo Paleari pertencia aos Paleari Fratino, família de Moscote. Esta cidade lombarda, próxima a Lugano, de há muito vinha sendo contestada entre Milão e Como, vindo a tornar-se parte da Antiga Confederação Helvética em 1517. Foi filho do “condottieri” Giovan Francesco de Palearo e irmão de Giorgio e Bernardino Palearo, que também se distinguiram como engenheiros militares. O filho de Giorgio, Francesco, e o seu neto, Pietro seguiram o mesmo ofício.

Durante a guerra na península Itálica de 1551–1559, Giacomo Palearo serviu no exército francês. Capturado pelos espanhóis em 1558, passou a servir a Filipe II. Trabalhou no projeto da Fortaleza de Tortona (1559). Giacomo e seu irmão Giorgio foram destacados para o governador de Milão, encarregado de modernizar o antigo Castello Sforzesco (1560), ora transformado em uma ampla fortificação com planta no formato de um polígono estrelado, com 12 grandes baluartes, sede das forças militares ibéricas na cidade.

Em 1563, os seus serviços foram cedidos aos genoveses, aliados da Espanha, para auxiliar com as defesas da Córsega. Giacomo chegou à Córsega a 29 de janeiro de 1563, acompanhado pelo coronel Giorgio Doria, tendo passado o resto do ano na ilha, onde melhorou a defesa das cidadelas de Calvi, Ajaccio, Bastia e Bonifacio, e erguendo novas fortificações ao longo da costa. Em 30 de dezembro de 1563, após ter deixado a ilha, deu aos genoveses um diagrama e instruções (atualmente nos arquivos de Génova) para erguer uma torre no lugar de Mortella, para apoiar a defesa da cidade de San Fiorenzo, protegendo a entrada do seu golfo.

As torres à época presentavam planta tipicamente quadrada e, no topo, possuíam matacães. Giacomo Palearo projetou uma torre cilíndrica com 3 pavimentos, com uma plataforma para artilharia no topo, sem matacães, um design inovador que só foi aceite após alguma resistência. No século XIX o seu modelo seria copiado pelas forças britânicas, que o difundiriam em suas possessões ao redor do mundo.

Filipe II mandou-o para Espanha e concedeu-lhe o título de engenheiro em 1565.

A ilha de Malta, em posição estratégica no mar Mediterrâneo, foi atacada pelo sultão otomano Solimão, o Magnífico em maio de 1565. A defesa foi sustentada pelos cavaleiros da Ordem de São João, a quem Carlos V havia doado Malta e o porto de Trípoli, na costa do norte de África, em 1530. Se Malta caísse, as possessões de Filipe II da Sicília e o Reino de Nápoles ficariam ameaçadas. O cerco a Malta foi levantado em setembro de 1565, mas a ilha ficou em ruínas. O Grão-Mestre da Ordem, Jean Parisot de la Valette, determinou a reconstrução, escolhendo o alto do monte Sciberras como local para uma nova fortaleza. O engenheiro militar Francesco Laparelli foi contratado para erguer a construção, e a pedra fundamental da nova cidade de La Valletta foi colocada em março de 1566. Filipe II comissionou Giácomo Palearo para examinar o desenho das fortificações. Até recentemente o engenheiro enviado por Filipe II era conhecido pelos estudiosos apenas como o “Fratino ingegnere famosíssimo”, com base no relato de Giacomo Bosio acerca do famoso e acalorado debate dos dois profissionais que teve lugar no monte Xiberras no início de abril de 1566.

Filipe II de Espanha ergueu as fortificações em Pamplona a partir de 1569, com desenhos de Giacomo Palearo e Vespasiano Gonzaga. A Cidadela ao sul da cidade é um pentágono regular, e a cidade em si era delimitada pelas muralhas que a faziam quase um hexágono regular. Paleari e Giovanni Battista Antonelli também auxiliaram Vespasiano Gonzaga na concepção das fortificações de Cartagena em 1570.

Em março de 1571, Palearo e Vespasiano Gonzaga foram enviados para inspecionar as defesas da fronteira entre a Espanha e Navarra.

No norte da África, Palearo revisou as defesas dos “presidios” (postos militares) espanhóis, em Melilla, na costa de Marrocos, e em La Goleta, na Tunísia, terminando as últimas fortificações no Verão de 1573. Neste ano foi nomeado por Filipe II como Capitão de Infantaria.

Em 1574 visitou Maiorca, considerada ainda vulnerável a um ataque turco, apesar da derrota dos mesmos, três anos antes, na batalha de Lepanto.

De acordo com o plano das fortificações da Cidadela de Menorca, Mahon e Palma de Maiorca, em 1575 Giacomo seguiu com o irmão Giorgio para a Sardenha.

De 1576 a 1579 serviu no Norte de África, na Espanha e em Gibraltar.

Em Gibraltar, Carlos V havia comissionado o engenheiro Giovanni Battista Calvi para erguer uma muralha que pudesse defender o rochedo do possível desembarque de atacantes na ponta da península, ao sul. Calvi projetou uma muralha que corria, em linha reta, a partir da costa leste, por cerca de 280 metros, terminando junto a uma falésia. Uma parede transversal correria para o sul ao longo do topo da falésia, e em seguida uma parede em ziguezague continuaria para leste até à crista do rochedo de Gibraltar, dando-se início aos trabalhos. Filipe II de Espanha sucedeu a Carlos V em 1558, tendo comissionado Giácomo Palearo para melhorar essas defesas. Palearo decidiu que a muralha transversal devia ser abandonada e, o que havia sido feito na muralha em ziguezague, demolido. Os trabalhos na muralha transversal cessaram, mas o engenheiro-chefe de Filipe II, Tibúrcio Spannocchi, recusou-se a permitir a demolição da muralha em ziguezague, que eventualmente veio a ser concluída em 1599, e que constitui a porção superior da hoje chamada “Muralha de Carlos V”.

Entretanto, uma muralha traçada por Palearo havia sido concluída em 1575, correndo por cima da falésia sobre o final da muralha inferior. Esta muralha é comumente chamada de a “Muralha Moura" por erro acerca da época de sua construção, ou, por vezes, a “Muralha de Filipe II”. Os irmãos de Giácomo, Giorgio e Bernadino podem tê-lo auxiliado neste trabalho. Com os planos para uma muralha transversal ao longo do topo da falésia abandonados, Giácomo converteu uma torre no lado nordeste em um baluarte, o Baluarte de San Pablo. Ergueu ainda um pequeno baluarte no vértice sudoeste da Muralha de Carlos V, o Baluarte de Nuestra Señora del Rosario. Este foi posteriormente incorporado ao Baluarte Sul, provavelmente por Daniel Specklin.

Ainda em 1575 foi responsável pelo baluarte de Santa Lucia, na cidade de Ibiza e pelo baluarte de Sant Pere em Palma de Mallorca.

Quando da conquista de Portugal em 1580 sob o comando do duque de Alba, trabalhou como engenheiro-mor nas fortificações da foz do rio Tejo, tendo trabalhado entre 1581 e 1584 nas novas fortalezas de Cascais, São Julião da Barra e Setúbal.

Novamente em Pamplona, continuou os trabalhos de construção da sua cidadela e inspecionado a Catalunha em 1586, ano em que faleceu.

"El Fratín" foi mencionado por Miguel de Cervantes em "Don Quijote de la Mancha" (1605), e na peça teatral "El Gallardo Español” (1615).

Contribution

Updated at 16/02/2014 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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