Diogo de Boytac

France

Diogo de Boytac, também referido como Diogo Boytac, Diogo Boitaca, Diogo de Boitaca (c. 1460 - Batalha, 6 de dezembro de 1527), foi um arquiteto e engenheiro francês.

Biografia

Oriundo possivelmente do Languedoc, o seu nome de família encontra-se referido pela primeira vez em 1498, num documento de Manuel I de Portugal (1495-1521), que lhe concedeu um subsídio anual por seu trabalho no Mosteiro de Jesus de Setúbal. A sua assinatura encontra-se em um documento de 1514. O seu nome encontra-se mencionado em 12 documentos que se mantêm no Mosteiro da Batalha, produzidos entre 1515 e 1521. O seu primeiro nome é mencionado apenas uma vez, em 1515, na lista dos membros da malsucedida expedição a São João de Mamora (atual Mehdia, em Marrocos) onde as forças portuguesas perderam 4.000 homens.

Enquanto trabalhava no Mosteiro da Batalha, desposou em 1512 Isabel Henriques, filha da Mateus Fernandes, arquiteto no mesmo mosteiro.

Estabeleceu-se na Batalha em 1516, onde veio a falecer em 1528, vindo a ser sepultado no mosteiro, próximo ao túmulo de Mateus Fernandes.

Setúbal

O Mosteiro de Jesus foi fundado por Justa Rodrigues Pereira, fora das muralhas da cidade e patrocinado por João II de Portugal (1481-1495), que, em 1490, encomendou a construção da igreja do mosteiro a mestre Diogo de Boytac. Este foi o primeiro trabalho onde seu nome é mencionado e esta igreja é a primeira construção associada ao estilo manuelino. Este estilo arquitetónico específico traz o estilo gótico tardio para Portugal e mistura-se com os princípios do começo do Renascimento, adicionando colunas torcidas e símbolos de navegação.

Neste templo Boytac introduz o conceito de uma nave e dois corredores laterais aproximadamente da mesma altura, unificando o espaço interno, como em uma igreja de salão, uma característica que seria encontrada em espaços Manuelinos mais tardios como a nave do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa. As exuberantes abóbadas da capela principal mostram os seus arcos com a forma de cordas torcidas - novamente antecipando um tema comum nas abóbadas manuelinas em todo o país.

Belém

Chamado por Manuel I de Portugal (1495-1521) foi para Lisboa, tendo sido o autor das primeiras traças do Mosteiro dos Jerónimos, iniciado em 1502. Essa tornar-se-ia a sua obra mais conhecida, um dos edifícios mais importantes em Portugal e, certamente, a realização de maior sucesso do estilo manuelino. Apoiados por vastos fundos, o arquiteto teve suficiente margem financeira para pensar em grande. Originalmente projetou um edifício com quatro mosteiros, uma construção quatro vezes maior do que a atual. Trabalhou neste projeto entre 1502 e 1516, estando as colunas e as paredes periféricas terminadas quando foi chamado a outros projetos. Foi sucedido por seu colaborador, João de Castilho, que gradualmente alterou o estilo manuelino para o estilo Plateresco.

O plano geral do mosteiro e da igreja assemelha-se ao de Setúbal. Ele lançou as fundações para esta igreja com salão de três naves com cinco espaços em uma única abóbada, um transepto claramente marcado, mas apenas ligeiramente saliente, e um coro alto. Boytac construiu as paredes da igreja, tanto quanto as cornijas e, em seguida, começou a construção do mosteiro adjacente. Também foi responsável pelo primeiro andar do grande claustro quadrado, com as suas decorações manuelinas. Construiu as abóbadas de arestas com arcos amplos e janelas com rendilhados repousando em delicados caixilhos.

Outros trabalhos

Enquanto trabalhava no Mosteiro dos Jerónimos, na qualidade de "Mestre das Obras do Reino" foi encarregado de diversos outros projetos, sendo difícil determinar o seu papel específico em todos.

Em 1507 foi encarregado da renovação do Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra. Ali foi o responsável pelo layout da igreja manuelina e da casa do Capítulo. Reduziu o espaço interno da Igreja a uma só nave e fez várias outras alterações. Retornou em 1513 para concluir este trabalho.

No mesmo ano de 1507 construiu o mosteiro hieronimita de Nossa Senhora da Pena, no topo de uma colina perto de Sintra (hoje parte do Palácio Nacional da Pena). A sua influência pode ser vista particularmente no conceito das abóbadas.

Em 1509, é mencionado no Mosteiro da Batalha, onde pode ter sido o mestre-de-obras, mas isso é incerto. Ergueu os pilares das Capelas Imperfeitas, decorados com motivos em estilo manuelino, esculpidos em pedra. A decoração rendilhada esculpida em estilo gótico (incluindo quadrifólios, flores-de-lis e rosetas) iniciada por David Huguet, pode ter sido concluída por Boytac, assimilando o estilo manuelino.

Em 1511 construiu, juntamente com Mateus Fernandes, os matadouros de Coimbra, fez melhorias na ponte sobre o rio Mondego (Ponte de Santa Clara) e fez alguns trabalhos de canalização do mesmo rio, visando controlar-lhe as cheias. Por vezes outros artistas trabalharam nos projetos de Boytac, como Marcos Pires, que desenhou a Sala Grande do Palácio Real de D. Manuel. A abside da capela da Universidade de Coimbra foi reconstruída e ampliada seguindo os planos de Boytac.

Marrocos

Em 1510, foi armado cavaleiro por D. Vasco Coutinho, 1° conde de Borba e 1° conde de Redondo, Capitão de Arzila, por sua participação em 1509 no 2.º cerco de Arzila (hoje Asilah, no Marrocos), praça cercada pelos muçulmanos em 1508.

Em 1514 partiu novamente para o Marrocos na função de Mestre de Obras. Construiu o Forte de São João de Mamora (hoje Mehdiya ou Mâmora, perto de Rabat) que foi perdida para os muçulmanos em 1515, vindo a tornar-se um reduto de piratas.

Bibliografia

VALLA, Margarida. "O papel dos arquitectos e engenheiros militares na transmissão das formas urbanas portuguesas". Comunicação apresentada no IV Congresso Luso-Afro-Brasileiro, Rio de Janeiro, 1996.

Contribution

Updated at 13/03/2014 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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