Arthur Colley Wellesley

Ireland

Arthur Colley Wellesley (Dublin, 29 de abril de 1769 — Castelo de Walmer, Kent, 14 de setembro de 1852), 1.º duque de Wellington, foi um marechal e político britânico, primeiro-ministro do Reino Unido por duas vezes.

Biografia

Foi filho de Garrett Wesley, conde de Mornington e de Anne Hill, filha do visconde de Dungannon. Ingressou em Eton College em 1781, tendo permanecido curtíssimo tempo, dado o falecimento do pai em maio de 1781, em difícil situação financeira. Foi viver em Bruxelas com a mãe, vindo a ingressar, em 1786, na Academia Real de Equitação de Angers, na França, preparando-se para o serviço militar, já que a mãe achava que o jovem só serviria como "carne para canhão". A instituição ministrava fundamentalmente equitação, dança, esgrima e francês – inclusive boas maneiras - considerados atributos fundamentais para um bom oficial.

Em março de 1787 foi nomeado alferes no 73.º Regimento de Infantaria de Highlanders, da Escócia, sendo rapidamente nomeado ajudante-de-campo do governador da Irlanda. Quando o seu regimento foi destacado para as Antilhas, conseguiu transferência para o 41.º Regimento adquirindo o posto de tenente. Em junho de 1789 era oficial do 12.º Regimento de Dragões Ligeiros. No ano seguinte (1790) foi eleito para o Parlamento Irlandês e conseguiu o posto de capitão no 58.º Regimento de Infantaria. Transferiu-se de seguida para o 18.º Regimento de Dragões Ligeiros, continuando como ajudante-de-campo do novo governador da Irlanda. Em abril de 1793 conseguiu angariar recursos suficientes para adquirir o posto de major no 33.º Regimento de Infantaria (1st West Riding Regiment). Sete meses depois era tenente-coronel do regimento, o último posto possível de aquisição no mercado de promoções e transferências do Exército Britânico, sete anos depois de entrar ao serviço, com 24 anos de idade e praticamente sem nenhum tempo de serviço efetivo. No comando do seu próprio regimento, em junho de 1794, desembarcou nos Países Baixos para reforçar as forças engajadas na desastrosa expedição comandada pelo duque de York desde 1793. Recebeu o seu batismo de fogo em setembro de 1794 e regressou à Grã-Bretanha em março de 1795. Tinha aprendido "o que não fazer, e isso é sempre alguma coisa."

Decidiu acompanhar o seu regimento numa expedição às Caraíbas, que regressou devido a ventos contrários, sendo então enviado para a Índia. Entretanto, tinha sido promovido a coronel, por antiguidade, em 3 de maio de 1796. Chegou a Calcutá em fevereiro de 1797. Em maio de 1798 recebeu o seu irmão mais velho, Richard Wellesley - a nova grafia do nome da família -, feito marquês Wellesley, em Madras, enquanto governador-geral da Índia.

As intenções do irmão de aproveitar a guerra na Europa para expandir o domínio britânico na Índia, permitiram a Arthur Wellesley ascender ao generalato. Participou, logo em 1799, na campanha contra o sultão Fateh Ali Tipu, o “Tigre de Misore”, sendo nomeado governador de Shrirangapattana, uma das capitais do potentado, após a sua conquista em abril. Em 1802, já major-general, foi responsável pela luta contra os potentados Marathas que tinham deposto Baji Rau, fundador da dinastia dos Pexuás e organizar da Confederação Maratha, tornado, por necessidade, aliado da Companhia Britânica das Índias Orientais. A batalha de Assaye (23 de setembro de 1803), e o combate de Argaum (29 de novembro) decidiram a contenda. O conflito foi retomado em 1804, mas o general pediu para regressar à Europa. Em 1 de setembro foi feito cavaleiro da Ordem de Bath, e no dia 10 seguinte desembarcou em Dover.

Foi na Índia que Wellesley aprendeu a profissão militar, tendo reconhecido a importância da logística, das informações fidedignas, da instrução e da disciplina da tropa na aplicação das táticas de combate, assim como a necessidade de oficiais empenhados. Compreendeu também a importância de informar tanto os seus superiores como os seus inferiores das suas intenções. No plano pessoal, decidiu dedicar-se de corpo e alma à sua profissão: já tinha abandonado o violino, e doravante decidiu tornar-se "abstémio", não bebendo mais de que uma garrafa de vinho por dia, e atleta - fazendo exercício físico diário - ao andar decididamente cerca de cinquenta metros em frente à tenda, ao levantar-se.

De volta à Europa, enriquecido devido à sua parte na partilha do saque apreendido aos seus opositores indianos, voltou a pedir em casamento, pela terceira vez, Catharine Pakenham, uma vez que os seus pedidos anteriores haviam sido recusados pela família dela, devido à anterior situação financeira de Wellington. Participou na inútil campanha de finais de 1805 ao norte da Europa, contra a opinião do duque de Iorque, que até ao fim da vida nunca reconheceu Wellesley como um general capaz. Nomeado comandante de uma brigada no sul de Inglaterra, regressou à política, defendendo na Câmara dos Comuns a atuação do irmão na Índia. Em 1807, com o regresso dos amigos de Pitt ao poder, foi nomeado secretário para a Irlanda, um posto que o tornava membro do Gabinete Britânico. Em agosto conseguiu ser nomeado comandante de uma divisão na expedição contra a Dinamarca, tendo limpo a Zelândia de tropas milicianas dinamarquesas, o que permitiu o cerco e bombardeamento de Copenhaga. Devido à sua atuação nesta campanha foi promovido a tenente-general (25 de abril de 1808).

A Guerra Peninsular (1808-1814) encontrou-o na Irlanda, no seu posto político, ao mesmo tempo que comandava uma força, que em princípio devia dirigir-se para a Venezuela. Nomeado comandante da força expedicionária enviada para Espanha, acabou por desembarcar na foz do Mondego em Portugal, vindo a organizar o seu comando e a vencer as forças francesas, sempre em menor número, que se lhe opuseram. A incapacidade de vencer decisivamente o exército de Jean-Andoche Junot no Vimeiro (21 de agosto de 1808), impôs a assinatura da chamada “Convenção de Sintra” (30 de agosto de 1808).

Foi convidado, em novembro de 1808, pela Regência, para tomar o comando do Exército português, antes da comissão de inquérito nomeada para analisar a atuação dos diferentes comandantes da expedição a Portugal se reunir. Em 21 de abril de 1809, quando desembarcou em Lisboa para ajudar Portugal a expulsar o exército Nicolas Jean-de-Dieu Soult, foi nomeado marechal-general do Exército Português.

Recebeu da Coroa Portuguesa título de barão do Douro, que lhe foi atribuído em setembro de 1809, ao mesmo tempo que o de visconde Wellington, na Grã-Bretanha.

Contribution

Updated at 31/03/2014 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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