Carlos Antonio López Insfrán

Paraguay

Carlos Antonio López Insfrán (Asunción, 4 de novembro de 1792 — Asunción, 10 de setembro de 1862) foi um político paraguaio que ocupou os cargos de cônsul e presidente do Paraguai. Foi pai de Francisco Solano López Carrillo.

Biografia

Filho de Miguel Cirilo López, um alfaiate espanhol, e de sua esposa, Melchora Ynsfrán (ou Insfran), de uma antiga estirpe de Asunción, matrimónio que teve 6 filhos e 2 filhas. A conselho dos seus pais cursou os seus estudos de Filosofia e Teologia no Real Seminario de San Carlos, em Asunción, mas logo abandonou essa carreira para estudar Direito. Após doutorar-se em jurisprudência, foi catedrático da dita instituição. Devido às relações hostis com o seu tio, José Gaspar Rodríguez de Francia, viu-se obrigado a manter-se na obscuridade por vários anos, tendo acumulado grandes conhecimentos das leis e assuntos governamentais.

No mesmo dia da morte Francia, assumiu o governo uma Junta dos comandantes dos 4 quarteis da capital, sob a presidência do alcaide do cabildo, Manuel Antonio Ortiz. Ela atribuiu a si mesma a missão de convocar um Congresso, mas as semanas passavam sem que este fosse anunciado. Desse modo, a 22 de janeiro de 1841, um golpe de estado dirigido por um cabo do exército terminou com a Junta. Em seu lugar assumiu um Triunvirato, formado por Juan José Medina, José Gabriel Benítez e José Domingo Campos, que convocou o Congresso; este grupo foi também deposto, a 19 de fevereiro por um segundo golpe de estado. O líder deste golpe de estado, coronel Mariano Roque Alonso, assumiu o governo com o título de Comandante General de Armas. Tinha como secretário o doutor Carlos Antonio López, sobrinho do ditador Francia.

A 12 de março reuniu-se o 5.º Congresso Nacional. A sua primeira preocupação foi formar um governo, a que deram o nome de Consulado. Seria regido pelos mesmos princípios do Consulado de 1813, constituído por Alonso e López, com um mandato de 3 anos. Enquanto Alonso concentrou-se na segurança e defesa do país, todo o resto da administração pública era conduzido por López.

Além desta eleição, o Congresso decidiu a abertura comercial e diplomática com os países vizinhos; fê-lo de forma bastante moderada, já que se habilitaram somente os portos de Pilar e Itapuã. Embora os paraguaios mais letrados esperassem a sanção de uma Constituição, o assunto não foi sequer considerado.

A 13 de março de 1844 reuniu-se um novo Congresso, com 300 deputados. Sob a direção de López promulgou-se uma "Ley que establece la Administración Política de la República del Paraguay", que é considerada por vezes a segunda constituição do país: nela se estabelecia uma divisão de poderes, ainda que muito favorável ao poder quase ilimitado do Poder Executivo. Este seria exercido por um Presidente da República, que governaria durante 10 anos. Esse diploma excluía toda e qualquer referência a garantias dos direitos civis.

Com a promulgação da lei deu-se por terminado o governo do Consulado e decidiu-se eleger um Presidente sendo eleito para o efeito Carlos Antonio López. Foi o primeiro Presidente Constitucional da República pelo período de 1844 a 1854. Ao término desse mandato, López foi reeleito duas vezes: uma por três anos (1854-1857) e outra por dez anos (1857-1867), não vindo este último a completar-se pelo seu falecimento (10 de setembro de 1862).

Ainda que nominalmente fosse um presidente atuando sob uma constituição republicana, governou despoticamente. O seu governo dotou o país de uma nova Constituição e um exército moderno. Entre realizações mais importantes de sua gestão podem-se citar:

• O primeiro trecho do “Ferrocarril Nacional”.

• A criação da “Flota Nacional”.

• As fundições de ferro de Ybycuí.

• O desenvolvimento do arsenal.

• O aumento da produção industrial, da mineração, da exploração de erva-mate e de madeira, da fundição de ferro, da produção de pólvora e de sal. Firmaram-se tratados comerciais com a França, os Estados Unidos e o Reino Unido.

• A criação do Hino Nacional.

• A reforma da agricultura e da pecuária.

• A concessão da cidadania aos indígenas (1848), ainda que as terras e outros bens dos mesmos passassem a ser propriedade do Estado.

• A fundação do periódico “El Paraguayo Independiente

• A reorganização completa da administração pública, com um maior orçamento.

• A instalação de tipografias.

• O ressurgimento da vida social.

• A consolidação das fronteiras paraguaias, bem como o reconhecimento da sua independência por muitos países.

O zelo que tinha pelos assuntos estrangeiros várias vezes o envolveram em disputas diplomáticas com o Brasil, a Inglaterra, e os Estados Unidos, que muitas vezes o levaram à beira de uma guerra, porém cada vez que isto acontecia, redimia-se por receio de ser invadido.

O seu falecimento deixou o caminho aberto para que o seu primogénito, Francisco Solano López (1826-1870), a quem anteriormente havia confiado cargos de responsabilidade, o sucedesse na presidência do país.

Contribution

Updated at 26/09/2014 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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