André Masséna

France

André Masséna (Nice, 6 de maio de 1758 — 4 de abril de 1817) foi um militar francês.

Biografia

Nasceu em Nice, cidade que à época formava parte do Principado da Sardenha. Era filho de um pequeno comerciante local, Jules Masséna e de sua esposa Marguerite Fabré. O seu pai realizava ativo comércio na Itália, pelo que a sua educação foi orientada, desde cedo, para que viesse a dirigir o negócio de família. Entretanto, o pai faleceu quando ainda tinha apenas dez anos e a sua mãe voltou a casar-se pouco depois. Com apenas 13 anos, alistou-se na marinha mercante, o que lhe permitiu viajar por todo o Mediterrâneo, tendo realizado ainda viagens à Guiana Francesa.

Após quatro anos de viagens, em 1755, a conselho da família alistou-se no Exército Real de Itália, uma seção do Exército de França, onde prestou serviços a um tio seu, encarregado de funções de intendência e recrutamento. Em 1789, ao eclodir a Revolução Francesa, Masséna era já Oficial Autorizado, o cargo militar mais elevado que era permitido a um plebeu. Abandonou então o serviço ativo e passou a ganhar a vida realizando atividades de contrabando a partir de Nice até que contraiu matrimónio com Anne Marie Rosalie Lamar, natural de Antibes, cidade para qual os recém-casados se trasladaram.

Em 1791 reincorporou-se ao Exército, onde viu oportunidades para fazer carreira, uma vez que fora suprimida a exigência de pertencer à nobreza para ascender na carreira como oficial. As suas habilidades em combate foram comprovadas de imediato, e ascendeu ao posto de coronel passado apenas um ano (1792).

Distinguiu-se durante as Guerras Revolucionárias Francesas (1792 — 1802), durante as quais ascendeu a general de brigada (agosto de 1793) e a general de divisão (dezembro de 1793). A sua primeira vitória como general foi em Saorgio, em agosto de 1794, um enfrentamento de pouca relevância estratégica, mas que se constituiu numa das poucas batalhas vencidas pelas tropas francesas naquele período. O seu primeiro êxito importante foi na Batalha de Lonato, em agosto de 1795, contra os exércitos austríacos de Pedro Quasdanovich.

Mesmo em face dessas vitórias, a França claramente estava a perder o conflito na frente sul, razão pela qual, em março de 1796 o Diretório nomeou um novo comandante em chefe: Napoleão Bonaparte. À sua chegada a Lonato, Bonaparte confirmou Masséna no seu posto, e juntos começaram uma espetacular campanha que se saldou com as vitórias de Lonato, Castiglione, Bassano, Caldiero e Arcoli. No Verão de 1796 tomou parte na Batalha de Rívoli e, no Inverno desse ano, na conquista de Mântua.

Finda a Campanha de Itália, em 1799 Masséna foi nomeado comandante-em-chefe do Exército Francês na Suíça onde, em setembro desse ano venceu os russos sob o comando do general Aleksandr Rimski-Kórsakov na Segunda Batalha de Zurique. Esta grande derrota levou a que o czar Paulo I da Rússia alterasse a sua política exterior, pois abandonou a Segunda Coalizão antifrancesa e concebeu uma aliança com a França. Como autor deste grande êxito, Masséna começou a gozar de um imenso prestígio e fama.

Voltou-se-lhe a destinar a Itália, onde sofreu uma severa derrota frente aos austríacos em Génova. Com a frente sul em perigo, Napoleão, já Cônsul, mudou-se para a frente de batalha e encarregou Masséna do centro do Exército na Batalha de Marengo (14 de junho de 1800) que, após um desenvolvimento de grande incerteza, converteu-se numa estrondosa vitória francesa.

Em reconhecimento ao seu esforço e êxito, Napoleão nomeou-o comandante das forças francesas na Itália. Apesar disso, pouco depois Masséna viu-se envolvido num escandaloso caso de corrupção e de saque de povoações. As queixas formuladas contra si por seus soldados e oficiais chegaram aos ouvidos de Napoleão que, indignado, o obrigou a apresentar a demissão e enviou-o de volta a Antibes com a sua família.

Após a proclamação do Império em 1804, Napoleão lembrou-se do talento de Masséna em combate e nomeou-o Marechal, destinando-o uma vez mais à frente italiana. Nesse posto comandou o exército na captura de Verona e, posteriormente, venceu os austríacos na Batalha de Caldiero (30 de fevereiro de 1805). Um Napoleão satisfeito encarregou-o da conquista de Nápoles, que submeteu com grande crueldade. Esta atuação desagradou sobremaneira a Napoleão, que finalmente o destituiu quando estalou um novo escândalo de corrupção no seio do exército de Masséna.

O Imperador comissionou-o do comando da ala direita do Exército Francês quando da Campanha da Polónia de 1807, da qual uma vez mais desempenhou-se com grande êxito. Em recompensa, Napoleão concedeu-lhe o título de duque de Rivoli em 1808. entretanto a sua fama de oficial corrupto já era bem conhecida, pelo que Napoleão decidiu destituí-lo uma vez mais e deixou-o sem nenhum comando direto.

Masséna não retornou ao serviço ativo até 1809, contra as forças da Quinta Coalizão, lutando de novo contra os austríacos. Quando a vanguarda francesa no rio Danúbio foi cortada e ilhada, Masséna liderou o 4.º Corpo na defesa centrada sobre Aspern e Essling, evitando que as tropas francesas fossem cercadas e sendo posteriormente resgatado após uma sangrenta luta. Foi recompensado por Napoleão com o título de Príncipe de Essling para, em seguida, tomar parte na vitoriosa batalha de Wagram. As tropas sob seu comando esmagaram os austríacos e aclamaram-no no campo de batalha e, ele próprio se concedeu o título de "O Filho querido da Vitória".

No contexto da Guerra Peninsular (1808 — 1814) comandou a invasão a Portugal em 1810, marchando sobre Lisboa. Comandou o primeiro embate com as forças anglo-portuguesas na batalha do Buçaco (27 de setembro), e foi detido nas Linhas de Torres Vedras. Napoleão, irritado, aumentou o contingente francês na Espanha e recriminou Masséna perguntando-lhe: "- Não era o senhor, o Filho querido da Vitória?" Masséna viu-se forçado à retirada de Portugal após as derrotas de suas forças nas batalhas de Barrosa e Fuentes de Oñoro. Quando Napoleão foi informado que, uma vez mais atuara de forma corrupta com a intendência destinada ao Exército, destituiu-o e colocou em seu lugar o marechal Auguste Marmont.

Napoleão não voltou a entregar mais nenhum comando a Masséna, a quem nomeou comandante local de Marselha. Por essa razão Masséna não participou na Campanha da Rússia (1812) e nem na Campanha da Alemanha (1813), permanecendo em seu posto e salvaguardando a paz no sul de França. Nem sequer em seus desesperados esforços para derrotar os invasores estrangeiros em 1814, o Imperador quis contar com o seu auxílio. Após a abdicação de Napoleão e o regresso de Luís XVIII de França, Masséna jurou lealdade ao novo monarca e este manteve-o em seu posto, respeitando todos os seus títulos.

Quando em 1815 lhe chegaram rumores da fuga de Napoleão da ilha de Elba, Masséna não deu crédito a tal informação. Estava convencido de que o Imperador o haveria de informar de uma operação dessa natureza, razão pela qual quando soube que efetivamente Bonaparte marchava triunfalmente sobre Paris, manteve-se em Marselha no aguardo de algum tipo de comunicação. A realidade era a de que Napoleão havia descartado já toda a colaboração entre ambos, até ao ponto em que, durante o Governo dos 100 Dias, não o menciona em nenhum documento oficial ou mesmo privado.

Ofendido, Masséna agiu de modo idêntico: permaneceu em Marselha, mas não lhe ofereceu qualquer auxílio. Após a Batalha de Waterloo (1815), colocou-se novamente ao serviço de Luís XVIII apresentando como mérito o não haver feito nada por Bonaparte durante o Governo dos Cem Dias. O monarca, desconfiado, confirmou-o em seu posto e títulos, mas, quiçá para fazê-lo expiar as suas faltas passadas, ordenou-lhe que participasse do Concelho de Guerra aberto contra o marechal Ney, um dos seus antigos companheiros de armas. Ao contrário de outros marechais, Masséna aceitou sem hesitar.

Pouco depois veio a cair gravemente enfermo e instalou-se definitivamente em Paris. Foi lhe diagnosticada uma enfermidade incurável, possivelmente um câncer, vindo a falecer em 1817 e sendo sepultado no Père Lachaise. O seu filho, Víctor Masséna herdou os seus títulos de duque de Rívoli e Príncipe de Essling. Um pequeno povoado ao norte de Nova Iorque, nos Estados Unidos, fundado por lenhadores franceses, leva o nome de Masséna em sua homenagem. Do mesmo modo, o seu nome está inscrito junto com o dos grandes generais napoleónicos no Arco do Triunfo de Paris.

Related fortifications

Contribution

Updated at 23/06/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Character > André Masséna