Jacques Funck

Sweden

Jacques Funck (ou Funk) (1715-1788), nasceu e faleceu em Estocolmo, na Suécia. Algumas vezes também chamado Diogo Funck, em função do aportuguesamento do nome equivalente em francês: Jacques.

Jacques Funck freqüentou a Academia de Estocolmo. Adquiriu grande experiência e renome nos serviços prestados na Índia e na Expedição de Havana. Tinha a especialidade de arquiteto.

Embarcou para o Rio de Janeiro, com o posto de brigadeiro de Infantaria, com exercício de engenheiro. Habilitou-se para servir à Corte portuguesa, pleiteando o posto de coronel engenheiro. Consta da carta de apresentação, datada de 9 de julho de 1764, que ele falava pouco francês, pouco alemão e um pouco de inglês.

Sua formação profissional foi feita na Academia de Estocolmo, pela qual foi diplomado engenheiro. Em 1742, Funck exercia suas atividades na Suécia, passando a servir, em 1745, no Exército francês, em Flandres. Na conquista de Havana salientou-se por atos de heroísmo e pela sua serena energia.

Por Decreto de 7 de junho de 1769 (Bento diz que foi em 22 de junho de 1767), Jacques Funck foi designado para servir, com a graduação de brigadeiro de infantaria, na Capitania do Rio de Janeiro, fazendo jus a soldo dobrado.

Quando o Conde de Cunha assumiu, em 1763, o cargo de Vice-rei, procurou verificar e melhorar a defesa do porto do Rio de Janeiro, manifestando-se, em carta à Corte, nos seguintes termos: "Visitei as fortalezas desse porto e todas precisam de reforma". Atribuiu a missão de melhorá-las ao Brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, cujo trabalho pareceu não ter correspondido ao desejo do Vice-Rei, por não terem beneficiado, como ele julgava necessário, as condições de defesa da Barra do Rio de Janeiro.

Empenhado no seu propósito de realizar os melhoramentos que, no seu ver, as fortificações do porto reclamavam com urgência, o Conde de Cunha pediu a vinda de engenheiros capazes de empreender, mediante a organização de um plano de conjunto, a reforma substancial que julgava necessária, inclusive na Fortaleza de Santa Cruz, onde Alpoim já havia executado obras que teriam sido julgadas com restrições.

Foi quando, dada a preocupação que inspirava a defesa do porto, o Governo da metrópole tomou a iniciativa de contratar, na Europa, os serviços do Tenente-General João Henrique Böhn e do Brigadeiro Jacques Funck, que eram altamente considerados como autoridades em Fortificação.

Em 17 de novembro de 1767, era o Conde de Cunha substituído pelo Conde de Azambuja que, como novo Vice-Rei, tratou de promover as medidas em que se empenhara o seu antecessor, determinando que o Tenente-General Böhn e o Brigadeiro Funck elaborassem o plano de melhoramentos visando ao reforço da defesa da Barra.

Esse plano, cujos originais ainda se encontram na Biblioteca do Rio de Janeiro, abrangeu o conjunto dos trabalhos previstos, constituindo um documento de alto valor técnico e histórico. Embora organizado em todos os pormenores, o trabalho dos dois reputados engenheiros não foi integralmente aproveitado na fase de execução das grandes realizações que marcam e enaltecem, no setor das Fortificações, a administração do Marquês do Lavradio, iniciada em novembro de 1769.

O novo Vice-Rei contou, também, para a realização do grande programa de construções e reconstruções das obras de defesa da Barra, com a colaboração de Francisco João Roscio e de José Custódio de Sá e Faria, os quais, com base no projeto de Böhn e Funck, apresentaram, em janeiro de 1770, estudos novos (constam do relatório do Marquês do Lavradio, publicado na Revista do Instituto Histórico Brasileiro) que introduziram alterações parciais no referido projeto.

A capacidade profissional de Jacques Funck se revelou, a serviço do Brasil não apenas pela concepção inteligente e segura dos problemas da nossa defesa, da qual foi, sem dúvida, um dos grandes planejadores, como pela ampla atuação com que ele trabalhou para bem assegurá-la. Por ocasião da sua transferência para o Brasil, vieram também para trabalhar sob as suas ordens Francisco João Roscio e Elias Schierling, capitães de Infantaria, com exercício de engenheiro, o que caracteriza o interesse dispensado pela Corte portuguesa às fortificações da capital do nosso País, em cuja história tiveram um período áureo na administração do Marquês de Lavradio.

Funck é autor de numerosos trabalhos técnicos, abrangendo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande de São Pedro, não apenas problemas de fortificações, como de cartografia, o que se observa pela relação seguinte: — Projeto para acrescentar o arsenal do trem da Cidade do Rio de Janeiro, feito em 1770, e numeração das obras que se devem acrescentar ao dito Arsenal, com o cais defronte da praça. — Plantas sobre o novo chafariz da praça da mesma cidade em 1780. — Despesa da obra do cais que se construiu adiante da mesma praça, em 1731, e o modo de calçar a praça defronte do palácio com menos despesa. Pelo Marechal-de-Campo Jacques Funck. — Planta da situação da Ilha de Santa Catarina e sua defesa, em 1774; do Rio Grande, desde a entrada da barra até a porta de Mendanha, em 1776; dos portos e passagens entre o Rio Camacuam e o Rio Taquari etc., em 1777. — Relação geral de todas as fortalezas e baterias ao redor da baía e praça do Rio de Janeiro, em 1776, com 14 cartas topográficas e com as plantas das fortificações. — Projeto de uma obra curva proposta sobre o cume da altura detrás da Fortaleza de Santa Cruz, em 1769. — Relação revista do estado presente de todas as obras de fortificações construídas em diferentes lugares, ao redor da baia do Rio de Janeiro, com oito plantas. Feita em 1781. — Revista geral da artilharia e munições que se acham ao todo, no Rio de Janeiro, em 1779 e 1780. — Planta particular para servir à relação junta, sobre a viagem entre o Rio Camacuam e o Rio Taquari, desde a Povoação do Rio Pardo até a Vila de Porto Alegre (as distâncias que figuram em uma e outra são feitas somente pelas diferentes informações colhidas). Trabalho feito no mês de janeiro de 1777.  Em 1774, foi promovido a marechal-de-campo, posto em que foi para o Rio Grande do Sul.

Durante a Guerra de Restauração do Rio Grande do Sul (1774-1776), ocupou a função de Assessor de Engenharia e Artilharia do Exército do Sul. Sua contribuição ao Rio Grande foi notável. Deixou, além do que já foi citado, o levantamento em planta da barra do Rio Grande, em 1776 – Plantas dos fortes do Arroio, do Lagamar, Patrão-mor, S. José da Barra, da Conceição, Santa Bárbara, Itapoá, Ilha do Governador (os dois projetados e suspensos em virtude do Tratado de Santo Ildefonso) – Plantas dos fortes espanhóis do Ladino, da Vila de Rio Grande, da Mangueira e do Triunfo.
Seu nome liga-se à introdução do ensino de engenharia do Brasil, ao dirigir, na Praia Vermelha, uma aula de Engenharia e Artilharia.

Fontes:
(TAVARES, 2000: p. 136-139).
(BENTO, 1996: p.259).

Contribution

Updated at 08/02/2014 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Projeto Fortalezas Multimidia (Elisangela).




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