Louis Henri Loison

France

Louis Henri Loison (Damvillers (Meuse), 16 de maio de 1771 - Chokier (Bélgica), 30 de dezembro de 1816) foi um general francês da Revolução e do Império. No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) participou da primeira invasão francesa a Portugal, sob o comando de Jean-Andoche-Junot. Permitiu numerosas pilhagens e inúmeros atos violentos contra a população civil que lhe valeram a fama de homem cruel, tendo ficado conhecido como "o Maneta".

Biografia

Iniciou a carreira militar alistando-se no batalhão auxiliar das colónias (29 de junho de 1787), que abandonou em 16 de setembro desse ano, vindo a realistar-se em 25 de janeiro do ano seguinte, momento em que lhe foi concedida licença.

No contexto da Revolução Francesa (1789), partiu como subtenente num batalhão de voluntários do departamento de Meuse (15 de setembro de 1791), obtendo no ano seguinte (1792) o posto de tenente.

Nomeado alguns meses mais tarde como capitão de hussardos na Legião do Norte, a sua bravura levou a que, em maio de 1793, fosse promovido a ajudante-general chefe de brigada provisório pelo representante do povo em missão no Exército do Norte. Confirmado no posto a 25 prairal do ano III da Revolução, recebeu do Comité de Saúde Pública, a 9 fructidor (26 de agosto de 1795), o cargo de general de brigada no exército do Rhin-e-Mosela.

A rapidez da sua ascensão, fruto de seu talento militar e coragem, atraiu críticas que o acusavam de interesse pessoal, falta de humanidade e de caráter. Até mesmo os seus companheiros de armas reconheciam que Loison se movia apenas pela avidez da fama.

O saque e incêndio da Abadia de Nossa Senhora de Orval, no Grão-Ducado de Luxemburgo (hoje em território da Bélgica) em junho de 1793, conduziram-no perante um tribunal, de que foi salvo por um comissário da Convenção, que o reintegrou nas funções militares.

No ano IV da Revolução, serviu sob as ordens do general Napoleão Bonaparte, sendo encarregado a 13 vendémiaire de presidir o tribunal que julgaria os chefes da insurreição daquele ano.

No ano VII serviu sob as ordens de André Masséna na Suíça, após o que, no ano VIII seguiu Bonaparte na Itália. Aí se distinguiu nos combates de Cerezola, Pozzolo, Parona e Colorgnoli. A sua atuação no passo de la Brenda, onde abriu caminho ao exército francês, confirmou a sua reputação militar. A 12 messidor do ano IX obteve uma licença e retornou a casa por razões de saúde. A 19 frimaire do ano XII (11 de dezembro de 1803), foi feito membro da Legião de Honra e, a 25 prairial seguinte (14 de junho de 1804) grande oficial.

No ano XIV, serviu na campanha da Alemanha, destacando-se em Guntzburg, Elchingen e Luetash, onde fez capitular 300 homens que defendiam este posto fortificado, e conquistou Scharnitz. Após a batalha de Austerlitz (1805) foi nomeado “Grande Águia” da Legião de Honra (atual Grã-Cruz), pela bravura que demonstrou no combate.

No início de 1806 perdeu o braço esquerdo num acidente de caça, o que o impediu de liderar a sua Divisão nas campanhas desse ano e do ano seguinte (1807). Participou no cerco de Colberg, na Prússia, no comando de uma Divisão de reserva, vindo a ser nomeado governador do novo Reino da Vestefália, que Napoleão criou para Jerónimo Bonaparte, seu irmão mais novo.

Em 1808 fez a campanha de Espanha e Portugal com Jean-Andoche Junot e Nicolas Jean de Dieu Soult. Em 1809 passou a comandar a 1.ª divisão do exército de reserva da Espanha. Os portugueses deram-lhe a alcunha de "o Maneta". À época recebeu o título de conde do Império (14 de abril de 1810), passando a receber 25.000 francos de renda sobre os domínios de Gifhorn e de Meinersen, situados em Hanôver.

Destacado para a “Grande Armée” a 24 de maio de 1812, foi encarregado, na preparação da campanha da Rússia, de organizar em Konigsberg, uma divisão de 10.000 homens, destinada a compor a primeira linha.

O imperador repreendeu-o vivamente e ordenou a sua prisão, por não ter estado à frente da sua divisão quando a mesma enfrentou o inimigo diante de Vilnius o que, na opinião de Napoleão, fora a causa da perda das tropas que a compunham.

Durante a campanha da Alemanha, comandou uma divisão sobre Davout e tomou parte no cerco de Hamburgo.

No contexto da Restauração, Luís XVIII de França nomeou-o cavaleiro da Ordem de São Luís (27 de julho de 1815) e deu-lhe o comando da 5.ª Divisão (5 de agosto).

Foi retirado do ativo compulsoriamente a 15 de novembro de 1815 e faleceu nas suas terras de Chikel, perto de Liège, aos 45 anos de idade.

Após 1867 os seus restos mortais foram translados para o Père-Lachaise (divisão 19). O seu nome encontra-se inscrito no Arco do Triunfo em Paris, no seu lado oeste.

Contribution

Updated at 23/06/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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