Benedetto da Ravenna

Italy

Benedetto da Ravenna, também grafado como Benedeto da Ravena e Benedito de Ravena (Ravena, c. 1485 - Sevilha, 1556), foi um arquiteto e engenheiro militar italiano.

Biografia

A primeira notícia a seu respeito remonta a 1511, quando exerceu o cargo de engenheiro militar do Reino de Nápoles, embora se acredite que ele já havia tomado parte, a serviço de Espanha, na expedição contra Trípoli no ano anterior (1510).

Acompanhou os exércitos espanhóis na Lombardia até 1517, quando foi chamado à Espanha, onde Carlos I de Espanha (1516-1556) incumbiu-o de elaborar um projeto para o reforço das fortificações de Pamplona, capital de Navarra. Esta revestia-se de importância estratégica, uma vez que fazia parte das rotas de uma possível invasão francesa do vale do rio Ebro e do golfo da Gasconha.

Benedetto demorou-se em Pamplona, ocupado com vistorias e inspeções, tendo dado início aos primeiros trabalhos de modernização das defesas. Entretanto, o ataque de Solimão II a Rodes (1522) levou à mobilização de cavaleiros e técnicos, tendo Benedetto também sido enviado para aquela ilha no Mediterrâneo. Em Rodes exerceu o cargo de Tenente-general da Artilharia tendo-se destacado de tal modo que a Ordem dos Cavaleiros de Rodes (depois Ordem de Malta) admitiu-o em suas fileiras como cavaleiro da Itália, concedendo-lhe uma pensão anual de 130 ducados de ouro. Após a capitulação de Rodes, Benedetto retornou à Espanha, onde foi destacado para o exército sob o comando do marquês de Pescara, que se preparava para a invasão da Provença. O marquês confiou-lhe o comando da artilharia que Benedetto dirigiu no cerco a Marselha e na conquista de Toulon. Após a retirada dos espanhóis da Provença, participou nas campanhas italianas dos anos seguintes, comandando a artilharia nos cercos de Empoli, Volterra e Florença.

Retornou à Espanha em 1529 e o soberano confiou-lhe os trabalhos de reforço da Praça-forte de Villalpaldo, no Reino de Leão, com a intenção de ali manter como reféns os filhos do imperador Francisco I de França. A 25 de abril 1530 foi comissionado para inspecionar as fortificações de Perpignan.

De volta à Corte apresentou um projeto para reforço daquela Praça-forte, que fornecia algumas correções para as cortinas existentes, com a adição de 9 baluartes equipados com artilharia, que foram, com aqueles anteriormente projetados por Benedetto para Pamplona, as primeiras fortificações abaluartadas realizadas na Espanha. O projeto também incluiu a construção de baluartes nos quatro vértices da cintura muralhada, que cobriam as torres existentes, vários aterros para o fortalecimento das paredes e algumas obras de restauração do antigo “Castillo Mayor”. Estas obras, que foram aprovadas de forma incondicional pela Corte, foram iniciadas em 1533.

No mesmo ano (1533), o soberano espanhol (Imperador Carlos V do Sacro Império) concedeu-lhe o título de Engenheiro Real, que foi o primeiro a ostentar em Espanha. No ano seguinte (1534), Benedetto propôs uma série de projetos para a renovação das fortificações de Logrofio, Pamplona e Colibre (Collure). Este último foi imediatamente implementado pelo governador do Rossilhão, José de Guevara, que se ateve escrupulosamente às sugestões do arquiteto italiano; para Logrofio e Pamplona, por outro lado, o trabalho foi iniciado apenas algumas anos mais tarde. Ainda em 1534 inspecionou as fortificações de San Sebastian e apresentou à Corte um relatório importante, intitulado “Relación ou Traza de la Villa de San Sebastian”, cujo manuscrito se conserva na Real Academia de la Historia de Madrid (Colección de Jesuitas, leg. 115). Ali descreve claramente as preocupações que o nortearam em sua intensa atividade a serviço da Espanha: renovar - e esta foi uma necessidade que se tornou cada vez mais premente na Europa - as antigas defesas medievais das diversas fortalezas, reforçando-lhes as muralhas e dotando-as de um sistema de baluartes, para que pudessem suportar o aumento do poder de artilharia, em desenvolvimento muito rápido no final do século.

No final de 1534, foi enviado para a África, junto com o capitão-general conde de Alcadete, para inspecionar as fortalezas espanholas de Orão e Mazarquivir (Mers-el-Kebir) e, no retorno inspecionou Gibraltar, Cádis, Málaga e Cartagena.

Para cada uma dessas praças, apresentou à Corte os respectivos projetos de reforço das fortificações: de grande importância eram as propostas para as cidades costeiras do sul da Espanha, uma vez que a estas se dirigia todo o tráfego marítimo das Índias Ocidentais e Orientais, todas, em maior ou menor escala, insuficientemente equipadas com fortificações capazes de repelir as frequentes incursões das armadas britânicas, neerlandesas e de piratas da barbária.

Os projetos foram, portanto, estudados com a maior atenção na Corte, mas, enquanto Benedetto se encontrava junto ao imperador a participar das discussões, uma nova ameaça à fronteira de Navarra com a França fez com que Carlos V o enviasse imediatamente para Pamplona para prover as medidas defensivas mais urgentes. Em seguida, foi inspecionar as fortificações de Monzón de Campos, em Castela Velha, tendo delas elaborado um relatório detalhado apresentado ao imperador. Em 1535 participou da expedição contra Túnis, liderada pelo próprio imperador, e distinguiu-se nas ocupações de Goletta, Bona e Bugie. Por ordem de Andrea Doria promoveu a renovação das defesas destas praças, introduzindo-lhes baluartes e transformando-as em sólidas posições espanholas.

Ao retornar à Espanha conservou-se algum tempo em sua residência em Sevilha. Mas em 1537 foi novamente a Perpignan, onde continuou a trabalhar para a realização de seu projeto de há quatro anos. Mais tarde também trabalhou em outras fortificações da fronteira com a França, especialmente em Pamplona e Fuenterrabia. Em 1540, após o assalto e saque de Gibraltar, pelo pirata Hayreddin Barbarossa, a Corte espanhola decidiu iniciar imediatamente o trabalho de reforço das defesas das principais cidades comerciais do sul, proposto em 1534 pelos engenheiros reais. Particularmente importantes foram as obras realizadas por Benedetto em Cádis, com a regularização das antigas muralhas muçulmanas e o fechamento da baía interior usando uma torre erguida a nordeste da cidade, no porto de Santa Maria. Ainda em 1540, morto o capitão-general da artilharia do Reino, Miguel Herrera, Benedetto pediu ao imperador que lhe fosse concedido esse cargo. Diante da resistência da nobreza espanhola à concessão dos mais altos cargos da nação a estrangeiros, a solicitação foi-lhe negada, embora Benedetto tenha recebido um prémio em dinheiro.

Em 1541, os serviços de Benedetto foram solicitados a Carlos V por João III de Portugal (1521-1557), que desejava que aquele engenheiro italiano estudasse o reforço das fortalezas portuguesas na costa atlântica do Marrocos, continuamente atacadas por navios de corso neerlandeses e britânicos, e de piratas da barbária. O imperador concedeu a autorização e Benedetto inspecionou as defesas de Tânger, Ceuta e Mazagão. Ao final da comissão enviou um relatório detalhado para a Corte de Lisboa, ilustrando as deficiências das fortificações existentes e propondo várias obras de reforço: ainda neste caso Benedetto previu um extensivo emprego de baluartes. Apresentou ainda um projeto para a expansão da Praça-forte de Mazagão (maio de 1541). Assim que retornou à Espanha, a execução dos seus projetos foi confiada por D. João III aos arquitetos João Ribeiro e Juan de Castillo.

Em 1542 participou da defesa de Perpignan contra os franceses. Quando estes finalmente retiraram, o balanço da campanha demonstrou a necessidade de reforçar urgentemente todo o sistema defensivo da região entre Perpignan e Barcelona. Benedetto participou de uma reunião de militares e técnicos convocada pelo próprio imperador, onde foi estudado um vasto plano de trabalho cuja gestão foi confiada ao próprio Benedetto. Desse modo, começou a trabalhar, a partir de 1544, nas cinturas defensivas de Barcelona, Rosas, Colibre e Perpignan. Durante a realização dos trabalhos nesta última praça-forte, como resultado do pó de calcário no meio do qual vivera continuamente, ficou cego. Estava-se em 1555: após 44 anos de serviço ininterrupto, foi forçado a retirar-se para a vida privada, na sua residência em Sevilha, e ali veio a falecer no ano seguinte.

Contribution

Updated at 14/07/2014 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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