Francisco de Arruda

Portugal

Francisco de Arruda (1??? - 1547) foi um arquiteto e escultor português.

Foi um dos expoentes do Manuelino na arquitetura, juntamente com o seu irmão Diogo e o mestre Diogo de Boytac.

Biografia

Foi irmão mais novo de Diogo de Arruda e pai de Miguel de Arruda, que também se notabilizaram como arquitetos.

Exerceu os cargos de medidor das obras do Reino, mestre da obra dos Paços Reais de Évora, e Mestre das Obras do Alentejo.

Foi encarregado de reparar as fortificações de Moura, Mourão e Portel, encontrando-se nesta vila a sua intervenção mais importante. Aí, para além de consertar as muralhas, introduziu no castelo torres semicirculares marcadas já pelo estilo de transição da neurobalística para a pirobalística. Construiu para D. Jaime, duque de Bragança, os Paços do Castelo de Portel, hoje arruinados, e a Capela de S. João Baptista, também gravemente obliterada: esta possui na parede testeira reta, dois volumosos botaréus, cilíndricos na base e octogonais daí para cima, coroados por pináculos cónicos torsos precedidos de uma moldura encordoada - uma combinação de massas idêntica à do coro do Convento de Cristo em Tomar, onde trabalhou em 1512.

Em 1513 Francisco de Arruda acompanhou o seu irmão Diogo ao norte de África, a Safim e Mazagão, tendo trabalhando igualmente na praça-forte de Azamor onde absorveu influências da arquitetura da região.

Regressou a Lisboa em 1514 para trabalhar no Mosteiro dos Jerónimos e, em 1516, assinou um documento que o designava mestre-de-obras do Baluarte do Restelo (Torre de Belém). Nesta obra, as influências da arquitetura do Norte de África conjugam-se com soluções inspiradas na arquitetura italiana da época, na tradição das fortificações medievais e na arquitetura naval.

A partir de 1517, e durante 20 anos, Francisco de Arruda dirigiu a construção da Sé de Elvas, dotada de uma característica tipológica que partilha com a Igreja Matriz de Olivença, com a sua grande torre central.

Em 1520 os Arruda alargaram o número de intervenções em Évora e arredores, designadamente no Mosteiro de São Francisco e na reformulação do Paço Real em Évora.

Em 1523 construiu em Lisboa a Casa dos Bicos, para D. Brás de Albuquerque, filho natural do 2.º Vice-rei da Índia Portuguesa, D. Afonso de Albuquerque, onde tornou a registar-se um apego ao formulário mudéjar e a organização da fachada com contracampos rasgados (a magnífica "loggia" de três vãos, hoje reconstruída e recriada).

Em torno de 1530, trabalhou no Palácio da Bacalhoa ou Palácio dos Albuquerque, onde se destacam duas grandes torres cilindricas com cobertura de gomos.

Após o falecimento de Diogo de Arruda em 1531, Francisco seguiu uma via gradualmente diferente convertendo-se paulatinamente à cultura humanista.

A partir de 1531, modificou o Castelo de Évora Monte, em Estremoz, onde ergueu um palácio ao gosto italianizante.

Edificou, entre 1531 e 1537, o Aqueduto da Água de Prata, em Évora, inaugurado a 28 de março de 1537. Ainda em 1537 João III de Portugal (1521-1557) nomeou-o Mestre das Obras do Alentejo.

Estava a dirigir as obras do Aqueduto da Amoreira quando faleceu, tendo essas obras sido concluídas por Afonso Álvares, em 1580.

Contribution

Updated at 15/01/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Character > Francisco de Arruda