Raimundo José da Cunha Matos

Portugal

Raimundo José da Cunha Matos (Faro, 2 de novembro de 1776 — Rio de Janeiro, 1839) foi um militar e historiador português.

Biografia

Filho de Alexandre Manuel da Cunha Matos e sua esposa, Isabel Teodora Cecília de Oliveira Fontes, desposou a sua prima, Maria Venância de Fontes Pereira de Melo.

Em 1790 assentou praça no Regimento de Artilharia do Algarve, em que o seu pai era furriel. Combateu nas campanhas da Catalunha e do Rossilhão. Em 1796 passou para a Marinha, onde continuou os seus estudos de artilharia. No ano seguinte (1797) foi nomeado comandante da guarnição do Forte de São Sebastião na ilha de São Tomé, onde exerceu ainda os cargos de Ajudante de Ordens do Governador, Provedor da Fazenda e Feitor da Alfândega.

Já no posto de major, em 1814 foi, em licença, à Corte, então no Rio de Janeiro, onde foi nomeado tenente-coronel, retornando a São Tomé e Príncipe como seu Governador.

Retornou ao Rio de Janeiro, de onde foi deslocado para a então Província de Pernambuco para combater a Revolução Pernambucana (1817). No ano seguinte (1818) foi encarregado pelo general Luís do Rego Barreto de organizar a 1.ª Brigada Miliciana, assim como a organização das baterias de defesa da costa.

Uma vez mais no Rio de Janeiro, em 1819 foi nomeado Vice-Inspetor do Arsenal Real da Marinha (Arsenal da Corte).

No contexto da Independência do Brasil (1822), em 1823 foi nomeado Comandante das Armas da então Província de Goiás, de onde regressou em 1826 como deputado, sendo promovido ao posto de Brigadeiro. Passou pela então província do Rio Grande do Sul como recrutador, nomeado por Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta, 1.º marquês de Barbacena.

Inspetor do Arsenal do Exército em 1831, foi de licença à Europa onde, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), foi testemunha do Cerco do Porto (1832-1833), acerca do qual escreveria um livro que publicou no Brasil. Retornou ao Brasil em 1833, antes do final do cerco, para assumir o cargo de diretor da Real Academia Militar, no Rio de Janeiro.

Em 1838 propôs, junto com o cônego Januário da Cunha Barbosa, a fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), numa assembleia composta por 27 membros fundadores.

Foi agraciado oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro e comendador da Imperial Ordem de Avis.

Principais obras

Corografia histórica da província de Goiás.

Corografia Histórica da Província de Minas Gerais (1837).

Corografia histórica das Ilhas de S. Tomé e Príncipe, Ano Bom e Fernando Pó. Lisboa, 1815; Porto, 1842.

Ensaio histórico-político sobre a origem, progressos e merecimentos da antiphatia e recíproca aversão de alguns portugueses europeus e brasileiros, ou elucidação do governo da Bahia, datada de 18 de fevereiro do anno corrente. Rio de Janeiro: Tip. Moreira & Garcez, 1822.

Repertório da legislação militar, atualmente em vigor no Exército e Armada do Brasil.

Memória da campanha do senhor Dom Pedro de Alcântara, ex-imperador do Brasil, no reino de Portugal, com algumas notícias anteriores ao dia de seu desembarque.

Contribution

Updated at 28/04/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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