William Carr Beresford

United Kingdom

William Carr Beresford (Irlanda, 2 de outubro de 1768 — Bedgebury (Inglaterra), 8 de janeiro de 1854) foi um militar britânico, marechal (1809) e depois marechal-general (1816) do Exército Português.

Foi comandante-em-chefe durante a Guerra Peninsular (1808-1814), de março de 1809 até à Revolução Liberal de 1820, gozando de poderes de governação dada a ausência da Corte portuguesa, refugiada no Brasil (1808-1821).

Em Portugal foi conde de Trancoso, título nobiliárquico criado em 13 de maio de 1811 por Maria I de Portugal (1777-1816) a seu favor, e depois marquês de Campo Maior, título recebido por decreto de 17 de dezembro de 1812 da mesma soberana. Na Grã-Bretanha foi visconde de Beresford, barão e visconde de Albuera e Dungarvan.

Biografia

Era filho ilegítimo do conde de Tyrone, futuro marquês de Waterford, frequentou a academia militar de Estrasburgo e em agosto de 1785 foi aceite como cadete no 6.º Regimento de Infantaria. Em 1793 serviu como capitão em Toulon, servindo com a "Royal Navy" no mar Mediterrâneo, tendo-se notabilizado na ocupação da Córsega. Em 1794 era tenente-coronel, servindo na Índia a partir de 1799. Em 1801 participou na campanha do Egito, comandando o 88.º Regimento que pertencia ao contingente enviado da Índia. Serviu como brigadeiro na expedição sob o comando do general Sir David Baird que capturou o Cabo da Boa Esperança aos Neerlandeses (19 de janeiro de 1806) assim como serviu na primeira invasão britânica a Buenos Aires, sob o comando do Comodoro Sir Home Riggs Popham (27 de julho de 1806). Diante da dura resistência oferecida pela população portenha, rendeu-se a Santiago de Liniers (12 de agosto de 1806), tendo sido aprisionado. Conseguiu evadir-se seis meses mais tarde, retornando à Grã-Bretanha. No contexto da primeira invasão francesa a Portugal, comandou a ocupação da Madeira em dezembro de 1807 com o fim de evitar a sua ocupação por forças francesas. Aí permaneceu por seis meses, sendo promovido a Major-general (abril de 1808). Nesse período aprendeu a língua portuguesa.

Foi transferido para o exército que desembarcou em Portugal em agosto desse ano, chegando a Lisboa, já liberta da ocupação francesa, em setembro. Mais tarde, comandou uma Brigada do Exército britânico que, sob o comando de John Moore, foi enviada para a Espanha, tendo participado na Batalha da Corunha.

Escolhido pelo governo britânico, de acordo com o parecer do general Arthur Wellesley, para comandar o Exército Português, foi-lhe atribuído o posto de Marechal do Exército, em 7 de março de 1809 pelo Conselho de Regência, idêntico ao usado pelo duque de Waldeck em 1797, e pelo conde de Goltz em 1801. A sua missão, ao contrário do que se afirma, não foi tanto a de reorganizar o Exército Português - obra de D. Miguel Pereira Forjaz, entre julho de 1808 e abril de 1809 -, mas sim a de compatibilizar a organização e a tática portuguesas com as britânicas, permitindo uma atuação conjunta no campo de batalha.

Mais tarde os seus poderes foram alargados, o que lhe permitiu propor mudanças na estrutura do Exército, assim como das Milícias e das Ordenanças, sem que estas tivessem que passar pelo Conselho de Regência, e pelo crivo de D. Miguel Pereira Forjaz.

Encontrando o Exército Português desfalcado pela ausência dos comandos no Brasil e na Legião Portuguesa, e pela relativa velhice e ineficácia de muitos dos oficiais recorreu à atribuição de comandos a oficiais britânicos, tendo plenos poderes para nomear e demitir (“hire and fire”) os subordinados. Como outras medidas, Beresford criou os depósitos de recrutamento em Peniche, Mafra e Salvaterra; presidiu à distribuição das novas armas e equipamentos; levou um exército treinado à prussiana a manobrar à inglesa; introduziu Ordens do Dia para informar o exército e apurar a disciplina: tanto se lhe conhecem mandatos de prisão e de execução sumária sem julgamento em tribunal militar, como louvores e promoções por mérito.

General com poucas qualidades para o comando em campanha, as suas falhas neste aspecto eram conhecidas: durante a campanha de 1809 contra Nicolas Jean de Dieu Soult havia mostrado dificuldade em tirar partido de uma situação favorável, ao não apoiar convenientemente o general Silveira (Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira) na luta que este travava contra as tropas francesas em retirada, reputação agravada pelo seu incompetente posicionamento das forças aliadas na preparação da Batalha de Albuera (1811), que ganhou apenas devido à iniciativa individual dos seus subordinados. Depois de Albuera, nunca mais teve um comando independente, só voltando a dirigir tropas em 1814, durante a invasão do sul de França, mas sempre sob o comando direto e preocupado do duque de Wellington.

Com o fim da guerra em 1814 manteve-se no comando do Exército Português. Devido ao regresso de Napoleão à França em 1815, tentou organizar uma força expedicionária para se reunir ao exército britânico nos Países Baixos, que se preparava para invadir a França, não conseguindo os seus intentos devido à oposição da Regência.

Em 1817, após rumores de uma conspiração que pretendia o regresso do monarca ao país e que se manifestava contrária à presença inglesa, mandou executar os conspiradores, entre os quais o tenente-general Gomes Freire de Andrade.

Em 1820, deslocou-se, pela segunda vez, ao Brasil para pedir mais poder a João VI de Portugal (1816-1826), sendo feito Marechal-General, título usado anteriormente pelo conde de Lippe, pelo duque de Lafões e pelo duque de Wellington. Ao regressar, como marechal-general do Exército Português, pelo “HMS Vengeur”, que fundeou no rio Tejo em 10 de outubro, já a Revolução Liberal (24 de agosto de 1820) estava nas ruas, e Beresford foi impedido pela Junta de desembarcar em Lisboa, seguindo viagem para a Grã-Bretanha.

Regressou a Portugal em 1826, mas a sua pretensão de regressar ao comando do Exército não foi aceite. Foi membro do primeiro governo de Wellington, de 1828 a 1830, com o título de Master General of Ordnance, equivalente em Portugal ao posto militar de Director do Arsenal.

Em 1834 publicou “A Refutation of Napier’s Justification of his third volume” onde tentou defender as suas ações de 1811, muito criticadas pelo tenente-coronel Napier na sua obra “History of the War in the Peninsula”.

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Contribution

Updated at 16/05/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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