Friedrich Wilhelm Ernst zu Schaumburg-Lippe

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Friedrich Wilhelm Ernst zu Schaumburg-Lippe (Londres, 9 de janeiro de 1724 — Wölpinghausen, 10 de setembro de 1777), foi um militar e político germânico. Conhecido em Portugal como Conde de Lippe (por ser conde reinante de Schaumburg-Lippe), durante a Guerra Fantástica (1761-1763) esteve ao serviço do Exército Português, que reorganizou profundamente e comandou. Notabilizou-se pelo contributo que deu às ciências militares, em particular à teoria da organização e administração militares. Enquanto conde soberano de Schaumburg-Lippe, então um Estado independente no contexto do Sacro Império Romano-Germânico, empreendeu grandes reformas e construiu edifícios que ainda hoje são dos mais marcantes do noroeste da Alemanha.

Biografia

Foi o segundo filho de Alberto Wolfgang, e de sua esposa, a condessa Margarete Gertrud von Oeynhausen (1701-1726).

Não sendo o herdeiro do condado, foi-lhe destinada uma vida militar, ao gosto esclarecido do tempo e como era tradição da família, o que implicava uma sólida preparação académica e cultural. Estudou em Genebra, depois na cidade neerlandesa de Leiden e finalmente em Montpellier, o que lhe deu uma visão europeia então pouco comum e o domínio de várias línguas. Ingressou depois na Guarda Real inglesa como alferes, onde iniciou a carreira militar.

Quando o seu irmão mais velho, Jorge (1722–1742), foi morto num duelo, viu-se inesperadamente no papel de príncipe herdeiro, o que o levou a voltar a Bückeburg. Acompanhou então o seu pai, que ao tempo era general ao serviço da República das Sete Províncias Unidas, na campanha contra a França no contexto da Guerra da Sucessão da Áustria, estando presente na batalha de Dettingen (27 de julho de 1743), durante a qual se distinguiu.

Alistou-se como voluntário nas forças imperiais, participando em 1745 na campanha de Itália, continuando o seu percurso militar na Marinha Real Britânica, tomando parte na campanha de 1745 contra os otomanos.

Após o falecimento do seu pai, em 1748, passou a conde reinante de Schaumburg-Lippe, tendo de imediato de enfrentar um conflito com o vizinho ducado de Hessen-Kassel, que pretendia aproveitar a oportunidade para anexar aquele condado. Este conflito latente com o pequeno Estado vizinho influenciou decisivamente o percurso de Guilherme, já que evitar a anexação passou a ser um dos principais objetivos estratégicos de toda a sua governação.

Fluente em várias línguas, já que a sua educação em várias cidades lhe permitira aprender Alemão, Francês, Inglês, Latim e Italiano (mais tarde seria fluente também em Português), resolveu viajar procurando obter experiência e apoio em matérias militares. Em Berlim, onde frequentou durante algum tempo a corte de Frederico o Grande, relacionou-se com Voltaire. Seguidamente visitou a Itália e a Hungria.

Quando se desencadeou a Guerra dos Sete Anos, reuniu o seu próprio contingente, tomou o partido da Prússia e pôs-se ao serviço do rei de Hanover, que o nomeou general mestre-de-campo (major-general) das suas tropas. Participou em várias ações com grande distinção.

Em 1759 conduziu a artilharia na batalha de Minden com tal acerto que impediu a ação da ala esquerda das forças francesas. Após essa vitória, foi-lhe confiado o comando de toda a artilharia dos exércitos aliados.

Quando em 1761, na sequência do Pacto de Família, Portugal se viu ameaçado por tropas francesas e espanholas, por indicação do governo britânico, Guilherme foi convidado por Sebastião José de Carvalho e Melo, marquês do Pombal, para comandar as tropas portuguesas que, com ajuda de forças britânicas, se preparavam para entrar em ação.

Guilherme aceitou o convite, e em julho de 1762, assumiu o comando do Exército Português e o encargo de reorganizador as forças portuguesas e de as preparar para a guerra.

Naquele ano a Espanha e a França, unidas pelo Pacto de Família, tinham pretendido que Portugal fechasse os seus portos aos navios ingleses, o que foi recusado pelo governo português. Como consequência desencadeou-se a chamada Guerra Fantástica, uma invasão da fronteira do nordeste português por tropas espanholas que tomaram Miranda, Bragança e Chaves.

O Exército Português, abandonado desde a doença de João V de Portugal (1706-1750), não tinha oficiais preparados para a guerra — fardamento, soldados e armas eram praticamente inexistentes.

O conde de Lippe, como ficou desde então conhecido em Portugal, e alguns oficiais ingleses e alemães tentaram organizar um exército de resistência. Contudo, impressionaram o conde as rendições precipitadas de muitas praças, o número de desertores e a demora no cumprimento das ordens, de que se teria queixado o ajudante-geral, o coronel nascido em Bremen Johann Heinrich Böhm (1708–1783).

Em consequência, o conde de Lippe, tendo conhecimento do pequeno valor militar das suas tropas, limitou-se a uma guerra de posições, procurando impedir que o exército espanhol penetrasse em Portugal. Daí o nome de Guerra Fantástica, já que toda ela decorreu sem ser travada uma única batalha digna de nota.

Esta estratégia funcionou, uma vez que a Espanha não se empenhou efetivamente na luta contra Portugal, que só foi ativa na América do Sul, onde existiam disputas territoriais não resolvidas entre ambos os Estados ibéricos.

Acabada a guerra com a assinatura da Paz de Fontainebleau, o conde de Lippe continuou a tentar organizar o Exército que lhe fora confiado, pelo que em 1764, realizou uma viagem de inspeção às regiões fronteiriças, mandando reparar as fortificações existentes e ordenando a construção de algumas novas. Continuou a lutar pelo melhoramento do Exército Português, mas o governo do marquês de Pombal ignorou-o. Nesse mesmo ano regressou ao seu país, não devendo ter recebido o ordenado que lhe fora fixado em 3.000 libras anuais.

Regressou três anos depois e voltou a percorrer o país, certificando-se do efeito das suas reformas. Durante a sua estadia realizaram-se grandes manobras de conjunto de 20 regimentos. Recebeu então como presente de agradecimento de José I de Portugal (1750-1777) um par de canhões miniatura em bronze dourado, um dos quais se encontra atualmente em exposição no castelo de Schaumburg, em Bückeburg.

Em reconhecimento pela sua capacidade técnica e de liderança e pela forma como se houve à frente das forças luso-britânicas em Portugal, o governo britânico nomeou-o marechal-de-campo honorário dos seus exércitos.

Vinte anos após a sua morte, o governo português comprou os seus manuscritos referentes à defesa de Portugal. Todos, ou a maior parte, foram levados para o Brasil com a invasão francesa em 1807.

Em sua homenagem, entre outros foi dado o seu nome ao Forte Conde de Lippe em Elvas, e a um dos regimentos históricos do Exército Português, o atual Regimento de Infantaria n.º 1.

Faleceu no seu retiro de caça de Haus Bergleben, em Wölpinghausen, onde então residia. Por não ter qualquer filho sobrevivo, foi sucedido por seu primo, o conde de Lippe-Alverdissen, que assumiu o título de Filipe II.

Contribution

Updated at 26/11/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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