Long Tom

O "Long Tom" foi uma peça de artilharia antecarga, de alma lisa, de 42 libras, fundida em França no século XVIII. Ficou conhecida por sua participação na chamada "Batalha Naval da Baía da Horta", em setembro de 1814, na Região Autónoma dos Açores

Em outubro de 1798, o navio de linha francês “Hoche” foi capturado por um esquadrão inglês. Por entre os despojos de guerra figurava uma bateria de peças de artilharia que arremessava projéteis de 42 libras. Vendida por inteiro ao nova-iorquino John Murray, estas peças acabaram por ser revendidas ao governo americano que as utilizou na defesa do porto de Nova Iorque.

Uma destas peças acabaria por ser rejeitada - devido ao fato de apresentar um pequeno defeito junto à bolada - e voltaria à propriedade de John Murray. Este viria a celebrar, em 1804, um contrato com o Imperador do Haiti em que forneceria a peça de artilharia ao navio “Samson”, que viria a participar na guerra contra os corsários franceses. Mais tarde, o navio voltaria a Nova Iorque e a boca-de-fogo iria jazer num armazém até à declaração das hostilidades com a Inglaterra em 1812. Juntamente com outros seis canhões de 9 libras, o "Long Tom" - nome com que a peça fora batizada - viria a fazer parte da dotação do "General Armstrong", afundado por embarcações britânicas no porto da Horta, diante dos muros do Forte de Santa Cruz, na chamada "Batalha da Horta" (26-28 de setembro de 1815).

No fundo da baía da Horta, o canhão veio mais tarde a ser recuperado pelos portugueses que o integraram no parque de artilharia do forte de Santa Cruz. Aí viria a ser encontrado pelo filho do capitão Reid, que se deslocou aos Açores em 1890. Este, no seu regresso a Washington, viria a convencer o presidente Harrison a pedir ao rei D. Carlos I de Portugal que fizesse a entrega da arma aos Estados Unidos, oferecendo-se mesmo para enviar outra arma como forma de compensação.

Amavelmente, o soberano português declinou a oferta e ofereceu a peça ao general George Sherman Batcheller, ministro dos Estados Unidos em Lisboa. Este último deslocou-se então ao Faial, onde despachou, a bordo do Vega, a peça de artilharia para Nova Iorque onde chegou a 18 de abril de 1893. A peça encontra-se atualmente depositada, em exposição, no Arsenal da Marinha de Guerra em Washington.

Entretanto, a figura de proa do corsário fora transportada para Bagatelle, uma das residências do cônsul Dabney no Faial, e era enfeitada com hortênsias todos os 4 de julho, até que, em 1867, foi doada pela família Dabney, ao Navy Yard Museum de Charleston. (MONTEIRO, Paulo. "The Nautical archaeology of the Azores: O afundamento do General Armstrong". In Nautical Archaeology Program, Texas A&M University, 2003. Ver também: “’General Armstrong’ e o canhão ‘Long Tom’ Victory at Fayal”. Horta (Açores): Direção Regional Turismo, s.d.. 48p., il.)

Contribution

Updated at 26/03/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

 


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