Castle of Loulé

Loulé, Faro - Portugal

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O “Castelo de Loulé” localiza-se na freguesia de São Clemente, município e concelho de Loulé, distrito de Faro, em Portugal.

O que nos resta do castelo e da cerca urbana testemunham a importância que a povoação teve no contexto islâmico, quer pelas dimensões da cerca muralhada, quer pela relevância artística e arqueológica dos materiais identificados.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana do sítio de Loulé remonta possivelmente a um castro lusitano, na transição do período Neolítico para o Calcolítico.

Durante a Antiguidade intensificaram-se os contatos dos povos da região com navegadores Fenícios e Cartagineses, que fundaram as primeiras feitorias na orla marítima do concelho (“Carteia”), incrementando a atividade piscatória e comercial, além da prospeção de metais. Com a invasão romana da península Ibérica, a partir de inícios do século II a.C. o primitivo castro foi ocupado, transformando-se numa importante base militar de ocupação e centro político e administrativo. Deste período chegou-nos o testemunho de uma ara votiva reutilizada na torre da igreja matriz.

Com a invasão muçulmana, a região foi ocupada desde 715, vindo a formar-se a povoação de "Al’-Ulyã", referida, às vésperas da Reconquista cristã, nas crónicas de Ibn Said e de Abd Aluhaid, como uma pequena almedina fortificada e próspera, integrante do Reino de Niebla, sob o comando do taifa Ibn Mafom. Dessa estrutura Almóada resta-nos uma torre albarrã, em taipa, a chamada “Torre da Vela”.

O castelo medievalong>

No contexto da Reconquista cristã da região, a povoação e seu castelo foram conquistados sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279) por forças sob o comando de D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago, em 1249, no dia de São Clemente (23 de novembro). O soberano outorgou carta de foral à povoação, passado em Lisboa em 1266. Em 1268 o soberano promoveu-lhe o povoamento, momento em que se terá reconstruído e ampliado a fortificação. Esta era então constituída por uma forte muralha torreada, com torre de menagem e uma cerca a envolver a povoação onde se rasgavam seis portas protegidas por torres, das quais ainda restam ruínas. (ALMEIDA, 1948)

Dinis I de Portugal (1279-1325) doou a povoação e seus domínios à Ordem de Santiago (1280), dotando-a posteriormente de uma grande feira anual, com duração de quinze dias, no mês de setembro (1291).

De 9 a 12 de abril de 1359 Pedro I de Portugal (1357-1367) pernoitou na alcaidaria do castelo.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385 a vila enfrentava dificuldades, conforme o testemunho do Camareiro-mor João Afonso, segundo o qual Loulé estava bastante despovoada, o seu castelo estava ermo de muralhas e no seu interior existiam bastantes pardieiros (Actas de Vereação, 1385). A mesma fonte dá conta ainda que corria no Concelho a notícia de que as forças de Castela se preparavam para entrar em Portugal. Diante da gravidade da informação e para precaver um eventual ataque, a Vereação decidiu reparar a torre que encimava a Porta de Faro e levantar as muralhas e ameias do flanco sul da cerca da vila. Sensível a este estado de coisas, João I de Portugal (1385-1433) concedeu privilégios especiais à população do termo da vila para habitar o interior da cerca e doou o pardieiro em frente à Igreja de São Clemente, para construção de um adro.

Com o ciclo dos Descobrimentos marítimos portugueses, a região do Algarve, vivenciou um novo surto de crescimento económico, do qual também Loulé se beneficiou, exportando vinho, azeite, frutas, peixe seco e sal. Graças a esses recursos, em 1422 ou 1462, as muralhas do castelo foram reedificadas por iniciativa de D. Henrique de Meneses (c. 1450 – 1480), 1.º conde de Loulé.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) a vila recebeu o Foral Novo, passado em 1501.

A 29 de janeiro de 1573 Sebastião I de Portugal (1557-1578) pernoitou na Alcaidaria do castelo.

Da União Ibérica aos nossos dias

No contexto da União Ibérica (1580-1640), no levantamento das defesas algarvias efetuado entre os anos de 1617-1618 pelo engenheiro-militar napolitano Alexandre Massai, o Castelo de Loulé consta como apresentando a maior parte dos muros em taipa danificados e ruídos (“Descripção do Reino do Algarve (...)”, 1621).

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), diante da evolução da artilharia, o antigo castelo perdeu o seu valor defensivo. A partir de então, o crescimento da vila gradativamente foi absorvendo os antigos muros, processo que se acelerou a partir dos danos impostos pelo terramoto de 1 de novembro de 1755, que destruiu a maior parte da vila. O que restava das torres do castelo ruiu, assim como extensos troços da muralha. A reconstrução da malha urbana privilegiou os setores residenciais, onde solares e palacetes passaram a destacar-se.

No século XIX, foram loteadas e ocupadas para fins residenciais e comerciais as áreas adossadas às muralhas do castelo, das quais foram demolidos alguns troços.

Os “Restos do Castelo de Loulé”, também referidos como “Testemunhos do Castelo de Loulé”, encontram-se classificados como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 9 842, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 137, em 28 de junho de 1924. A ZEP encontra-se definida pela Portaria n.º 425/85, publicada no Diário da República, I Série, n.º 152, de 5 de julho.

A intervenção do poder público no monumento, entretanto, só se iniciou no período de 1942 a 1952, por iniciativa da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), quando se procederam intervenções de restauro e consolidação das muralhas e torres, a reconstrução de paredes e a aplicação de cantaria nos cunhais das torres e nos degraus. Nova campanha se sucedeu em 1954-1955, com a demolição de algumas casas para desafronto da muralha.

O conjunto sofreu novos danos, causados pelo sismo de 28 de fevereiro de 1969.

Outras intervenções tiveram lugar em 1973 (demolição de alvenarias e telhados, e construção de alvenaria de taipa na torre da Vela), em 1980 (demolição de barracas que prejudicavam o interior do castelo, reparação do pavimento dos adarves e torreões, e recuperação de merlões) e em 1981-1982 (reconstrução de telhados de uma pequena dependência).

A partir de 1 de junho de 1992 o imóvel do castelo foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, I Série-A, n.º 126.

No início do século XXI, entre 2001-2003, a DGEMN em conjunto com a Câmara Municipal de Loulé, procederam extensa intervenção com a limpeza de paramentos exteriores incluindo remoção de vegetação e tratamento de juntas, a revisão e recuperação de adarves, terraços e outras estruturas, a recuperação dos espaços exteriores adjacentes à muralha, a limpeza da pedra e tratamento de juntas, consolidação do tardoz com revisão e reposição de rebocos e caiações de arco ogival junto à rua Rainha D. Leonor, incluindo abertura de vãos em fachada em ruínas que limitava o percurso pedonal a que o arco dá acesso, fazendo a ligação com o largo Tenente Cabeçadas.

O castelo passou à afetação da DRCAlgarve pela Portaria n.º 829/2009, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 163 de 24 de agosto.

Atualmente subsistem três torres ameadas ligadas por uma cortina de muralhas com adarve. No local da antiga alcaidaria podem observa-se, no solo, os vestígios de fundações das muralhas que se desenvolviam no sentido norte. Esses restos, restaurados, sediam o Museu Municipal de Arqueologia de Loulé, onde se expõe uma coleção de fragmentos da Idade do Bronze e de cerâmica do período da Romanização. Também é possível observar vestígios da ocupação muçulmana, através de piso de vidro.

Características

Exemplar de arquitetura militar, islâmico e gótico, de implantação urbana.

O castelo ergue-se num dos vértices da cerca da vila medieval. Esta cerca definia um perímetro com uma área de, aproximadamente, cinco hectares, considerada extensa para a época, e que podemos dividir em dois núcleos principais:

− a Alcáçova, espaço eminentemente militar; e

− a Medina, essencialmente civil e administrativo.

Voltada para a Rua da Barbacã destaca-se uma torre albarrã, de alvenaria, datada da Baixa Idade Média. Outra das torres visíveis é a denominada "Torre de Vela", também esta uma torre albarrã, de taipa, localizada na antiga Rua da Corredoura, atual Rua Engenheiro Duarte Pacheco, e perto desta destaca-se a Porta de Faro, que ainda conserva traços da primitiva construção Almóada. No arrabalde sul, ou Mouraria, à saída da Porta de Faro, após a reconquista, foi destinada uma área aos mouros forros que receberam foral de D. Afonso III, em 1269. Era nestas ruas que estariam localizadas as instalações artesanais, a comprovar pelos topónimos outrora ou ainda hoje existentes.

Não existem vestígios da primitiva alcáçova, no entanto pressupõe-se que estaria situada no mesmo local onde hoje se encontra a alcaidaria que alberga vários espaços culturais (Museu Municipal; Cozinha Tradicional; Centro de Documentação com hemeroteca, fototeca, bibliografia e estudos variados sobre a história local e regional, personalidades, acontecimentos e outros).

Da primitiva Medina restou uma torre de planta quadrangular, originalmente o minarete da mesquita muçulmana, adaptada, após a cristianização, como torre sineira da Igreja de São Clemente.

Conservam-se, pela cidade, as muralhas Almóadas de taipa, construídas, ou pelo menos, reforçadas no século XII, as quais são visíveis em pequenos tramos, encobertas por casas que foram sendo construídas adossadas à mesma, e outros panos de muralha que foram sendo descobertos em recentes intervenções efetuadas pela autarquia.



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Contribution

Updated at 04/10/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (3).


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    Os “Restos do Castelo de Loulé”, também referidos como “Testemunhos do Castelo de Loulé”, encontram-se classificados como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 9 842, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 137, em 28 de junho de 1924. A ZEP encontra-se definida pela Portaria n.º 425/85, publicada no Diário da República, I Série, n.º 152, de 5 de julho.



  • (+351) 289 400 600


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Faro
    City: Loulé

    R. Dom Paio Peres Correia 17, 8100-606 Loulé


  • Lat: 37 -9' 38''N | Lon: 8 1' 26''W



  • De segunda a sexta-feira, das 9h00 às 18h00; ao sábado, das 09h00 às 14h00 e das 15h00 às 17h00.

    A entrada inclui uma visita a uma parte das muralhas do castelo, ao Museu Municipal e à Cozinha Tradicional Algarvia, onde se exibem utensílios arcaicos e de cobre polido.

    O pátio do castelo pode ser visitado de forma gratuita, com destaque para antigas peças de artilharia e uma guilhotina.








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