Castillo de Calatrava la Vieja

Calatrava la Vieja, Ciudad Real - España

O “Castelo de Calatrava la Vieja” localiza-se na comuna de Carrión de Calatrava, no município de Calatrava la Vieja, província de Ciudad Real, Comunidade Autónoma de Castilla-La Mancha, na Espanha.

Não deve ser confundido com o castelo homónimo, de Calatrava (a nova), na mesma província, mas em termos municipais diferentes.

Na Alta Idade Média, Calatrava foi a única cidade importante do al-Andalus no vale do médio rio Guadiana. A sua posição proeminente, na margem esquerda do rio, na sua confluência com o arroio de Valdecañas, tornavam-na passagem obrigatória na estrada que ligava Córdoba a Toledo e nas comunicações entre o oriente e o ocidente peninsular.

História

A área de Calatrava foi dominada pelos árabes como tal (isto é, originários da Arábia), pertencentes ao clã Bakr ibn Wail, estabelecidos na região desde a época da conquista (711) muçulmana. A toponímia deriva do árabe "Qal'at Rabah" (em árabe. قلعة رباح, “Castelo de Rabah”), em referência à fortificação erigida no local.

De fundação Omíada ao final do século VIII, as referências documentais mais antigas sobre a praça fortificada de Calatrava datam de 785. No contexto do conflito entre a cidade revoltada de Toledo e o Califado de Córdova, em 853 foi parcialmente destruída pelos revoltosos.

O período de maior esplendor da cidade iniciou-se com a sua subsequente refundação por Al-Hakam, irmão do emir Muhammad I. Entre 853 e 1147 a cidade tornou-se a capital de uma vasta região. Com a queda da Califado de Córdoba, seu domínio foi disputado pelos reinos taifas de Sevilha, Córdoba e Toledo.

Toledo foi conquistada em 1085 por Afonso VI de Leão e Castela (1065-1072), e os Almorávidas chegaram à Península Ibérica um ano mais tarde (1086). Em 1147 Calatrava foi reconquistada por Afonso VII da Galiza, Castela e Toledo e de Leão (1111-1157), convertendo-se na praça cristã mais avançada diante dos muçulmanos.

Afonso VII doou a “encomienda” de Calatrava aos cavaleiros da Ordem do Templo (1150), que a abandonaram pouco depois.

Sancho III de Castela e Toledo (1157-1158) fez a oferta de cedê-la a quem se comprometesse na sua defesa. Incentivado por um monge chamado Diego Velásquez, que havia sido um guerreiro anteriormente, São Raimundo de Fitero aceitou o desafio e organizou um exército. Com o apoio do arcebispo da diocese de Toledo, João II, tiveram sucesso em repelir um ataque muçulmano em 1158. Após este sucesso, Raimundo decidiu fundar a Ordem de Calatrava, com mais alguns monges que seguiam a regra da Ordem de Cister. Por essa época, o número de cavaleiros da Ordem aumentou rapidamente, e o Papa reconheceu a Ordem de Calatrava em 1164.

A povoação e o seu castelo foram reconquistados pelos Almóadas em 1195, após a vitória destes contra Afonso VIII de Castela (1158-1214) na batalha de Alarcos (1195). Foram recuperadas em 1212, na campanha cristã que culminou na batalha de Las Navas de Tolosa (1212). Após a conquista de Calatrava, registaram-se desentendimentos entre os membros da coalizão cristã, que discordaram da ordem de Afonso VIII para que não se maltratassem judeus e muçulmanos vencidos. Desse modo, mais de 30.000 homens desertaram e retiraram para o norte dos Pirenéus.

Em 1217, a sede da Ordem de Calatrava mudou-se para o Castelo de Dueñas, 60 quilómetros ao sul, que desde então passou ser conhecida como “Calatrava la Nueva”. A antiga Calatrava, doravante referida como “Calatrava la Vieja", permaneceu como cabeça de uma “encomienda” com sede na antiga alcáçova muçulmana do castelo. O seu abandono definitivo ocorreu no início do século XV, momento em que o comendador de Calatrava transferiu a sua residência para a vizinha Carrión de Calatrava. Observe-se que todas as povoações da comarca (Campo de Calatrava) pertenciam à Ordem, o que muitos conservam recordado na segunda palavra do seu nome.

Encontra-se classificado pelo Ministério da Cultura espanhol como “Bien de Interés Cultural” desde 3 de junho 1931 sob o número RI-51-0000518. A sua área também se encontra classificada como zona arqueológica como “Bien de Interés Cultural” desde 28 de abril 1992, sob o número RI-55-0000367.

Atualmente em ruínas, o castelo encontra-se submetido a escavações arqueológicas e sofre intervenções de consolidação e restauro.

Características

Exemplar de arquitetura militar, muçulmana e gótica, em posição dominante no alto de uma meseta,

Implanta-se sobre os vestígios de ocupações anteriores. As últimas campanhas de prospecção arqueológica, embora tendo identificado níveis ibéricos de ocupação que testemunham a existência de um assentamento de grande importância, por outro lado não revelaram restos que permitam supor a existência de ocupação durante os períodos romano ou visigótico, como resultado, provavelmente, do ambiente insalubre.

Ainda assim, Calatrava la Vieja é um dos sítios arqueológicos de origem islâmica de maior relevância em território espanhol. A importância dos restos existentes deve-se ao considerável desenvolvimento que Calatrava alcançou durante um período entre 785, data da primeira menção documental sobre sua existência, e 1212, ano em que se iniciou um processo de decadência que conduziu a que, no início do século XVI, a cidade seja encontrada praticamente despovoada.

O recinto compreende um total de 44 torres com um fosso ao seu redor, do período muçulmano, alimentado pelas águas do Guadiana. Subsistem os restos de engenhos hidráulicos de grande complexidade técnica para a época, como das quatro couraças que defendiam a elevação de água a partir do poço para a cidade, para abastecê-la. Parte dela era desviada até uma torre de planta pentagonal, de onde saía a alta pressão através de um sistema de tubos, de volta para o fosso. Esse era um sistema hidráulico defensiva sem paralelo à época.

Do período templário subsistem os restos de uma igreja inacabada, assim como de dependências e da posterior igreja da Ordem de Calatrava.

Muralhas e fosso

Calatrava ocupa um monte em forma de meseta de planta ovoide, com 5 ha de extensão, na margem esquerda do Guadiana. De seu alto tem-se um amplo domínio visual da região circundante, mas não possui capacidades defensivas de destaque. A única defesa natural é proporcionada pelo próprio rio, primitivamente muito largo e pantanoso, que protegia a frente norte da cidade; para o restante da praça, a defesa foi assegurada por sólidas muralhas, num circuito com 1500 metros de extensão, que se adapta ao seu contorno.

Uma grande parte da muralha - quase toda do período Omíada - ainda está coberta de escombros. É amparada por, pelo menos, 44 torres de flanqueio, das quais duas são albarrãs. Com exceção das duas torres localizadas no extremo leste da alcáçova, de planta pentagonal, em arco, todas as outras são de planta retangular, ocas e maciças. Na frente sul da cidade, onde se rasga o portão de acesso em cotovelo, as torres são maiores e mais abundantes, algumas delas ocas, e são mais espaçadas, enquanto que as do esporão oeste - melhor defendidas pelas escarpas do terreno – são sempre maciças, menores e mais próximas entre si. As torres voltadas para o rio são quase todas ocas.

Exceto por sua frente norte, protegida pelo rio e onde se situam as couraças de abastecimento de água, o resto do recinto é cercado por um fosso seco que transformou a cidade em uma verdadeira ilha. Este fosso é, em sua maior parte, escavado na rocha do monte, tem mais de 750 m de extensão e uma profundidade média de 10m. Em frente ao portão principal do lado sul, podem ser vistos os restos de uma ponte que permitia ultrapassar o fosso.

O monte está dividido em duas zonas, separadas por uma muralha de grandes dimensões: a alcáçova, a leste, e a medina, que ocupa o resto da superfície. No exterior das muralhas estendiam-se os arrabaldes.

Portões e torres

Em Calatrava la Vieja existem dois exemplares emirais (século IX) de portas em cotovelo. A mais notável dava acesso à cidade pelo Sul, após ultrapassar uma ponte sobre o fosso. Alojada em um maciço que conheceu diferentes ampliações, permitia o acesso à medina, através de uma rampa calçada com grandes lajes. Junto a ela há um portão que, permitindo maior controle, deve ter sido a passagem mais amplamente utilizada. Na alcáçova situa-se outra porta em cotovelo que facilitava a entrada a partir do rio mediante uma rampa exterior ao recinto; além disso, existia uma poterna junto à grande porta que comunicava a medina com a alcáçova, e que foi entaipada quando foi construído o grande salão de audiências da alcáçova.

Torres albarrãs

Na zona da alcáçova, e muito próximas entre si, estão localizados dois exemplares deste tipo de torre avançada em Calatrava. A mais alta e de maiores dimensões, oca e com a parte inferior em silharia e a superior em cantaria, está datada, como o resto da muralha vizinha, até ao ano de 854. Junto a ela e mais perto do rio, encontram-se os restos de uma segunda torre albarrã de cronologia Almóada, onde se observam silhares reaproveitados junto com obra em taipa. Na frente sul das muralhas, entre a alcáçova e a porta da medina, erguia-se uma terceira torre albarrã, que foi posteriormente reconstruída, adquirindo planta pentagonal em arco.

Torre pentagonal em arco

Existem três torres deste tipo em Calatrava la Vieja. Dois exemplares, ocos, estão localizados na extremidade mais oriental da alcáçova, formando parte essencial do sistema hidráulico da defesa. A mais distante do rio, sem acesso possível a partir da alcáçova, e com os seus muralhas perfuradas por tubos de cerâmica, poderia ter sido um “castellum aquae”. A mais próxima ao rio possui acesso direto a partir da alcáçova e poderia servir como um posto de controlo. Ambas têm sido datadas até ao ano 854. Uma terceira torre do recinto, primitivamente albarrã, foi reconstruída e preenchida com materiais reaproveitados, sendo transformada em uma torre de planta pentagonal; possivelmente alojasse no seu terraço, grandes máquinas de guerra, tais como manganelas.

Couraças

Como um caso excepcional, em Calatrava la Vieja foram identificadas quatro couraças. A mais antiga, anterior a 853, foi demolida ao construir-se o “castellum aquae”, embora parte de seus restos tenham servido de apoio a estruturas do período Almóada, junto ao rio. Além de uma segunda couraça situada nos arrabaldes, ainda por desentulhar e investigar, destacam-se a couraças da medina e a da alcáçova. A da medina adentra o rio em quase 80m, e está apoiada por cinco torres-contraforte situadas a montante. Através de um sistema de noras, a água era captada no rio na torre terminal, sendo elevada para o interior da medina para abastecimento desta.

A alcáçova - ainda a ser descoberta em sua totalidade – as couraças e o “castellum aquae” formam o núcleo de um sistema defensivo hidráulico único em seu género. Esse sistema foi configurado durante a reconstrução da cidade em 854. A couraça captava a água do rio e elevava-a ao topo do lanço oriental da alcáçova, de onde, através de canais, que era distribuído tanto ao interior deste - para ser usada pelos seus ocupantes - quanto ao “castellum aquae”, localizado na torre pentagonal Sul; desta última, a água vertia para o fosso, a alta pressão, através das numerosas condutas cerâmicas que atravessavam as suas paredes.

Esse mecanismo, autêntico “unicum” na arquitetura militar medieval, pressupunha não apenas uma entrada alternativa de água para o fosso para garantir o seu abastecimento em tempos de estiagem das águas do rio, mas também e principalmente, uma nova e espetacular manifestação da “linguagem do poder” Omíada: um impressionante veículo de propaganda política. Durante o período Almóada, o sistema foi reformado por meio de uma antemuralha, profusamente perfurada por vários níveis de condutos de cerâmica, apoiado sobre a vizinha torre albarrã, entretanto erguida.

Medina e subúrbios

A medina constituía o centro da vida urbana de Calatrava. As fontes escritas dão-nos conta de dispunha de todas as estruturas próprias de uma cidade islâmica: mesquitas, banhos, tendas (lojas), fornos, “casas fortes de terra” (taipa)... Em seu setor central foram identificados restos de habitações e uma rua pavimentada da época Almóada. Encontrava-se completamente cercada por uma sólida muralha com mais de 40 torres. O seu interior era acedido através de uma das portas em cotovelo mais antigas do Al-Andalus, precedida por uma ponte que permite cruzar o fosso. Nos extensos arrabaldes que rodeavam a cidade foram identificadas as diversas áreas artesanais e industriais, um cemitério Almóada, restos de casario disperso e uma mesquita no conjunto da atual Capela da Encarnação.

A alcáçova

Localiza-se no extremo leste da cidade, no início do fosso. De planta triangular, ocupa uma áres de 1 ha. Em torno dela distribuíam-se os elementos defensivos mais destacados da praça, não apenas porque estava destinada a albergar os centros de poder, senão também porque as defesas naturais deste setor do monte eram escassas. Nessas defesas e estruturas internas podem identificar-se várias etapas construtivas:

1. Anteriores a 853: os restos da antiga muralha oeste, formados pela própria porta, entretanto oculta, e por diversas torres nela incluídas, de construção muito diversificada: adobe, azulejo, taipa, cantaria, etc.

2. Aqueles pertencentes à reconstrução de Muhammad I (posterior a 854) respondem a um plano unitário promovido, como em outras partes da cidade, pelo poder central cordovês com um claro propósito de expressar a sua supremacia na região. Destacam-se as grandes torres de entrada - que forram as primitivas-, o grande arco triunfal que antecede a antiga porta e os paramentos oeste e sudeste. Também se atribui a esta etapa a construção da da primitiva torre albarrã e das torres pentagonais em arco, que, juntamente com a vizinha couraça, formavam parte de um sistema defensivo hidráulico.

3. As estruturas islâmicas de cronologia imprecisa: a cisterna em frente à porta e a grande sala com diversos arcos em ferradura de grandes dimensões, que corresponde a um grande salão de audiências ligado a um tanque e a um jardim: todos com um alto valor simbólico, que relaciona o exercício do poder do governante que o construiu com o domínio da água, e que o vincula com primitivos cerimoniais dos Omíadas do Oriente.

4. A abside inacabada dos Templários (1147-1158), da planta de dodecagonal, que é um dos poucos testemunhos construtivos da Ordem do Templo em Castela.

5. Sobre os restos mais antigos, a igreja e as dependências anexas da "encomienda” de Calatrava (séculos XIII e XIV) ocupam a maior parte da área da alcáçova. Durante estes dois séculos, foram realizados trabalhos contínuos, reformas e reutilização dos espaços. Entre eles destacam-se os restos de uma forja e as dependências abobadadas ao lado da igreja.

  • Castillo de Calatrava la Vieja


  • Ciudad Fortificada





  • España


  • Ruinas conservadas

  • Protección Nacional
    Encontra-se classificado pelo Ministério da Cultura espanhol como “Bien de Interés Cultural” desde 3 de junho 1931 sob o número RI-51-0000518. A sua área também se encontra classificada como zona arqueológica como “Bien de Interés Cultural” desde 28 de abril 1992, sob o número RI-55-0000367.





  • Centro Turístico Cultural

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : España
    Estado/Província: Ciudad Real
    Ciudad: Calatrava la Vieja



  • Lat: 39 -5' 34''N | Lon: 3 49' 60''W







  • Castelo Templário
    Castelo de Calatrava



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