José da Silva Paes

Portugal

José da Silva Paes, o brigadeiro desbravador do Brasil Meridional, nasceu na freguesia de Nossa Senhora das Mercês, em Lisboa, Portugal, sendo ali batizado em 25 de outubro de 1679. Engenheiro militar, deixou marcas de sua personalidade e capacidade administrativa em Portugal e no Brasil: em Santa Catarina, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Notabilizou-se ainda como tenente-coronel de Engenheiros, nas operações de libertação da Praça de Campo Maior, quando sitiada em 1712, secundando o grande feito que deixou famoso o Conde da Ribeira Grande. Era um dos melhores e mais experimentados engenheiros portugueses.

Serviu no Brasil na primeira metade do século XVIII, como “brigadeiro dos exércitos da Sua Majestade” e governador de capitanias, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Realizou no Brasil numerosos trabalhos de fortificações sendo o autor do primitivo projeto da fortaleza da Ilha das Cobras – junto do Arsenal de Marinha – alterado parcialmente por Gomes Freire, ao qual dera o seguinte título: “Planta da fortaleza do Patriarca São José, construída na Ilha das Cobras pelo Brigadeiro José da Silva Paes”. É de sua iniciativa a carta topográfica de todo o terreno compreendido desde a Barra do Rio Grande de São Pedro até Castilhos Pequeno, que corre entre a costa do mar e a Lagoa Mirim (1737). No comando de forças transportadas por navios, entrou ele na barra do Rio Grande de São Pedro ocupando a região do território rio-grandense que teria, por isso mesmo, uma grande importância política. Ali firmou o Brigadeiro Paes o domínio do Governo português, em nome do qual exerceu a sua autoridade de governo. Foi ele, pois o conquistador do chamado continente do Rio Grande de São Pedro, ou, por abreviação “o Continente”.

Além de responsável pela fortificação do litoral sul do Brasil, também solicitou e iniciou o processo de povoamento açoriano, consolidando a defesa e ocupação deste território contra o assédio espanhol. O primeiro governador de Santa Catarina administrou a Capitania durante dez anos, no período de 1739 a 1749. Os registros mais antigos de sua ligação com Santa Catarina datam de 1736. Destacado por Lisboa, dirigia-se a Montevidéu para combater os espanhóis quando conheceu a costa catarinense. Na sua visão de militar experiente, compreendeu a importância estratégica da Ilha de Santa Catarina para a defesa do Brasil Meridional e transmitiu isso à Metrópole.

Em Carta Régia de 11 de agosto de 1738, cumpriu-se uma resolução do Conselho Ultramarino, criando-se um governo militar em Santa Catarina. Por ela ficou determinado que José da Silva Paes seguiria para a Capitania, onde ele tomou posse como governador na então Vila de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, no dia 01 de maio de 1739, passando a impulsionar o modesto povoado. O engenheiro e governador, Silva Paes, projetou e dirigiu pessoalmente a construção das quatro primeiras e principais fortalezas de Santa Catarina: Santa Cruz de Anhatomirim, São José da Ponta Grossa, Santo Antônio de Ratones e Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba. Foi responsável ainda pelo projeto da Casa do Governo e da igreja Matriz.

Silva Paes ordenou a abertura de um caminho entre Desterro e Laguna e recrutou o primeiro contingente militar para guarnecer o sul, atraindo inúmeras famílias portuguesas que vieram engrossar a população da Capitania. Com o apoio da Corte, promoveu a criação de um Regimento, dando origem ao Regimento de Linha, também chamado Barriga-Verde.
No governo de Silva Paes, fez-se a separação entre as Vilas de Laguna e de São Paulo, em 1742; a fixação de competência fiscal e administração da Fazenda Pública em Santa Catarina, em 1747, e a criação de uma Ouvidoria no Desterro, em 1749.

Logo que assumiu a frente da Capitania, Silva Paes compreendeu a necessidade de povoá-la. Dirigiu-se à Corte em carta de 23 de março de 1742; dizendo o quanto seria conveniente a vinda de casais açorianos: “seria utilíssimo, porque desenvolveria a agricultura e entre seus filhos se recrutariam os componentes das tropas que defenderiam o sul dos espanhóis”. Ainda na sua gestão, em 1748, recebeu a primeira leva de imigrantes açorianos. Em 02 de fevereiro de 1749 deixou o governo da capitania, passando-o ao coronel Manoel Escudeiro Ferreira de Souza. Regressou a Portugal e tornou-se o principal colaborador do brasileiro Alexandre de Gusmão na organização dos mapas que serviram nas discussões finais entre Espanha e Portugal acerca do Tratado de Madri para a fixação dos limites de suas terras na América do Sul.

José da Silva Paes passou o resto de seus dias em Lisboa, falecendo em 14 de novembro de 1760, na Freguesia dos Anjos – Fontainha, sendo sepultado no Convento de Nossa Senhora do Carmo.

Fontes:
TAVARES, 2000. p. 176.
PIAZZA, Walter F. O Brigadeiro José da Silva Paes: estruturador do Brasil meridional, 1988.

Contribution

Updated at 14/09/2020 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Projeto Fortalezas Multimidia (Elisangela), Projeto Fortalezas Multimidia (Gabriel).




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