Henry I of Portugal

Portugal

Henrique I de Portugal (31 de janeiro de 1512 — Almeirim, 31 de janeiro de 1580), conhecido pelos cognomes de "O Casto" (pela sua função eclesiástica, que o impediu de ter descendência legítima), "O Cardeal-Rei" (igualmente por ser eclesiástico) ou "O Eborense" ou "O de Évora" (por ter sido também arcebispo daquela cidade e nela ter passado muito tempo), foi o décimo-sétimo rei de Portugal, tendo governado entre 1578 e a sua morte.

Biografia

Foi o quinto filho varão de Manuel I de Portugal e sua segunda esposa, Maria de Aragão, e era irmão mais novo de João III de Portugal.

Sem esperança de ascender ao trono, cedo recebeu o sacramento da ordenação, para promover os interesses portugueses na Igreja Católica, na altura dominada pela Espanha. Subiu rápido na hierarquia da Igreja, tendo sido Arcebispo de Braga, primeiro Arcebispo de Évora, Arcebispo de Lisboa e ainda Inquisidor-mor, antes de receber o título de Cardeal (sendo portanto um cardeal-infante), com o título dos Santos Quatro Coroados (1546).

Não pelas suas mãos, mas com autorização sua dada a frei Luís de Granada (O.P.), editou uma obra intitulada "Meditações e homilias sobre alguns mysterios da vida de nosso Redemptor, e sobre alguns logares do Santo Evangelho, que fez o Serenissimo e Reverendissimo Cardeal Infante D. Henrique por sua particular devoção" (Lisboa, Antonio Ribeyro, 1574). Esta obra, em língua portuguesa, visava substituir a palavra oral pela escrita, num esforço de chegar às recuadas aldeias onde dificilmente chegava, pela escassez de religiosos conhecedores do Latim. Foram publicadas edições em Latim pelos Jesuítas em 1576 e depois em 1581.

Participou do conclave de 1549-1550, que elegeu o Papa Júlio III e dos conclaves de Abril e Maio de 1555. Nestes chegou a ser apontado como um dos favoritos a suceder ao trono de São Pedro. Inclusive, o seu irmão, João III de Portugal, pediu ao cunhado, o imperador Carlos V que favorecesse a ascensão do seu irmão ao sólio pontifício, através da compra dos votos do Colégio dos Cardeais. Porém, não participou dos conclaves de 1559, 1565-1566 e de 1572.

Empenhou-se em trazer para Portugal a Companhia de Jesus, tendo utilizado os seus serviços no Império Colonial.

Fundou a primeira Universidade de Évora (1559), entregando-a ao cuidado da Companhia de Jesus, transformando a cidade num polo cultural importante, acolhendo alguns vultos da cultura de então: Nicolau Clenardo, André de Resende, Pedro Nunes, António Barbosa, entre outros.

Quando D. João III faleceu, muitos discordavam da atribuição da regência a Catarina de Áustria, irmã de Carlos I de Espanha. Henrique sucedeu assim à sua cunhada em 1562, servindo como regente para Sebastião I de Portugal, seu sobrinho de segundo grau, até este assumir o trono (1568).

Após a desastrosa batalha de Alcácer-Quibir (1578), após receber no Mosteiro de Alcobaça a confirmação da morte do monarca, acabou por suceder ao sobrinho-neto. Henrique renunciou então ao seu posto clerical e procurou imediatamente uma noiva por forma a poder dar continuidade à Dinastia de Avis, mas o Papa Gregório XIII, que era um familiar dos Habsburgo, pretendentes ao trono de Portugal, não o libertou dos seus votos.

Foi aclamado rei na igreja do Hospital Real de Todos os Santos, no Rossio, em Lisboa, sem grandes festejos. Caber-lhe-ia resolver o resgate dos muitos cativos em Marrocos.

Mesmo com o sério problema da sucessão em mãos, D. Henrique nunca aceitou a hipótese de nomear D. António, Prior do Crato, outro seu sobrinho, herdeiro no trono, pois não lhe reconhecia legitimidade. Faleceu durante as Cortes de Almeirim de 1580, deixando uma Junta de cinco governadores na regência: o arcebispo de Lisboa D. Jorge de Almeida, D. João Telo, D. Francisco de Sá Meneses, D. Diogo Lopes de Sousa e D. João de Mascarenhas.

Após a sua morte, "de facto" D. António subiu ao trono, mas não conseguiu mantê-lo: em novembro de 1580, Filipe II de Espanha enviou tropas sob o comando do duque de Alba para reivindicar o Reino de Portugal pela força. Lisboa caiu rapidamente e o soberano espanhol foi aclamado rei de Portugal, com a condição de que o reino e seus territórios ultramarinos não se tornassem províncias espanholas.

D. Henrique foi sepultado inicialmente em Almeirim, mas em 1582 o seu sobrinho, Filipe II de Espanha, transladou os seus restos para o transepto da igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Encontra-se junto ao túmulo construído para D. Sebastião, também aí colocado por ordem de D. Filipe II.

Contribution

Updated at 06/12/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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